A Embaixada da Suécia decidiu encerrar, com cerca de 18 meses de antecedência, o financiamento do Programa Alcance, uma iniciativa implementada pela organização We Effect nas províncias de Niassa, Nampula e Cabo Delgado, pondo termo a um apoio avaliado em mais de quatro milhões de dólares norte-americanos.
Inicialmente concebido para um período de quatro anos, o programa termina após cerca de dois anos e meio de execução, numa conjuntura internacional marcada pela redução dos compromissos dos países desenvolvidos com a ajuda ao desenvolvimento.
O anúncio foi feito em Lichinga, durante o III Fórum Anual de Parceiros do Programa Alcance, pelo representante nacional da We Effect em Moçambique, Diamantino Nhampossa, que destacou os resultados alcançados em 31 distritos das três províncias abrangidas, com particular incidência para Niassa.
Segundo Nhampossa, apesar do encerramento prematuro, o programa deixa um legado importante em áreas como a segurança alimentar e nutricional, adaptação às mudanças climáticas e fortalecimento das comunidades locais.
“Saímos daqui com a cabeça erguida e com esperança de que novos programas possam surgir para o Norte de Moçambique. As comunidades participaram na resolução dos seus próprios problemas e isso permitiu melhorar significativamente os impactos sociais”, afirmou.

Representante Nacional da We Effect
Em Niassa, o programa privilegiou os distritos mais remotos e vulneráveis, em resposta às prioridades identificadas pelas autoridades locais durante a fase de concepção da iniciativa, em 2022.
Caso o financiamento tivesse sido mantido até ao fim do ciclo previsto, a We Effect pretendia expandir a construção de habitações resilientes e aumentar o apoio a pequenos negócios liderados por mulheres.
Ainda assim, Diamantino Nhampossa acredita que os conhecimentos e mecanismos deixados nas comunidades, nomeadamente através dos grupos de poupança criados, poderão assegurar a continuidade de algumas iniciativas.
“Os grupos de poupança já possuem capacidades para continuar a melhorar as suas condições de vida e investir em habitação e pequenos negócios”, explicou.
Entre as três províncias abrangidas, Cabo Delgado foi a que registou menor nível de execução devido às limitações impostas pela insegurança provocada pelo terrorismo.
“Em alguns distritos tivemos de abandonar actividades por razões de segurança. O maior impacto foi alcançado em Niassa e, em certa medida, em Nampula”, referiu.
Ao longo dos quase três anos de implementação, o Programa Alcance beneficiou directamente cerca de 53 mil pessoas, das quais aproximadamente 60 por cento eram mulheres. O apoio incluiu formação, disponibilização de insumos e financiamento de pequenos empreendimentos definidos em função das necessidades das próprias comunidades.
Contudo, a interrupção antecipada do financiamento poderá ter consequências imediatas, sobretudo para jovens, mulheres e organizações da sociedade civil.
Segundo o representante da We Effect, a redução do apoio sueco deverá traduzir-se na diminuição das oportunidades de emprego e na suspensão de várias actividades comunitárias.
“A redução do apoio do Governo sueco terá um impacto significativo não apenas nos programas da We Effect, mas também no país em geral, uma vez que a Suécia financiava várias iniciativas de desenvolvimento em Moçambique”, advertiu.

Governadora do Niassa
Por sua vez, o representante do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Hortêncio Muiuane, reconheceu que a actuação da We Effect, presente em Moçambique desde 2003, complementou os esforços do Governo nas áreas da agricultura, ambiente, aquacultura e pesca artesanal.
Já a governadora do Niassa, Elina Massengele, considerou que os quase três anos de implementação do Programa Alcance permitiram consolidar aprendizagens e fortalecer parcerias em prol da segurança alimentar, igualdade de género, inclusão social e resiliência climática.
Para a governante, os resultados alcançados constituem uma referência importante para a promoção de soluções sustentáveis e para a transformação das comunidades das províncias do Norte do país. Pedro Fabião
