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Sociedade

Associação Koxukuru apresenta denúncia de corrupção no IFP de Nacala-Porto

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A Associação Koxukuru submeteu, na tarde desta terça-feira, uma participação formal ao Gabinete Provincial de Combate à Corrupção (GPCC), denunciando a existência de um alegado esquema de corrupção no Instituto de Formação de Professores (IFP) de Nacala-Porto, associado ao processo de admissão de candidatos.

Agostinho Miguel

Segundo a organização, a denúncia resulta de uma investigação própria iniciada a 10 de Junho do corrente ano, na sequência de várias queixas apresentadas à Polícia da República de Moçambique (PRM), que apontavam para práticas ilícitas no referido estabelecimento de ensino.

Em declarações à imprensa, o director-executivo da Associação Koxukuru, Gamito dos Santos Carlos, afirmou que as diligências realizadas permitiram identificar indícios de corrupção sistemática, envolvendo uma rede organizada que, alegadamente, condicionava a admissão de candidatos ao pagamento de valores monetários elevados.

De acordo com a associação, os montantes exigidos variavam entre 50 mil e 70 mil meticais. Há ainda relatos de candidatos que, apesar de terem pago as quantias solicitadas, não foram admitidos, tendo recebido promessas de ingresso no ano lectivo seguinte.

A denúncia dá conta de situações consideradas graves, incluindo o caso de um candidato que, segundo a Koxukuru, terá vendido a sua residência para obter o valor exigido, sem lograr a admissão no instituto.

A organização sustenta ainda que o esquema recorria a métodos considerados sofisticados, como o uso de aparelhos electrónicos durante os exames de admissão, com respostas alegadamente transmitidas à distância. Para permitir a entrada nas salas de exame com telemóveis, os candidatos teriam de pagar valores adicionais, estimados entre 15 mil e 20 mil meticais, sendo os dispositivos ocultados para evitar a detecção durante as revistas.

A Associação Koxukuru refere ter identificado, de forma preliminar, cerca de dez indivíduos ligados directamente ao IFP de Nacala-Porto suspeitos de envolvimento no esquema, tendo optado por não divulgar nomes, por respeito ao princípio do segredo de justiça.

No âmbito da participação, foi entregue ao GPCC uma pen drive contendo alegadas provas, incluindo áudios e vídeos, que, segundo a organização, poderão contribuir para a identificação dos principais implicados.

Gamito dos Santos Carlos defendeu a abertura de uma investigação célere, séria e independente, sublinhando que o caso poderá expor uma cadeia de corrupção mais ampla, com impactos na credibilidade da formação de professores no país.

A Associação Koxukuru afirma que a denúncia visa a promoção da legalidade, da transparência e da defesa dos direitos dos cidadãos, apelando às autoridades competentes para a responsabilização de todos os envolvidos.

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