Cerveja feita com milho local muda vida de milhares de agricultores

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A ligação entre agricultura e indústria está a ganhar força em Moçambique com a aposta da Cervejas de Moçambique (CDM) na compra de milho produzido localmente para a produção de cerveja, numa iniciativa que já está a impactar milhares de famílias rurais.

A empresa adquiriu cerca de 33,5 mil toneladas de milho, numa operação que vai além da simples compra de matéria-prima. Trata-se de um modelo que integra pequenos agricultores numa cadeia de valor industrial, criando rendimento e dinamizando as economias locais.

Só na província de Manica, cerca de 16 mil produtores estão envolvidos no processo. Para estes agricultores, a existência de um mercado garantido significa maior estabilidade financeira, redução de riscos e incentivo ao aumento da produção. A previsibilidade na venda permite também investir em melhores insumos e práticas agrícolas, elevando a produtividade.

Este modelo está a contribuir para a transição de uma agricultura de subsistência para uma agricultura orientada para o mercado, com impactos directos no desenvolvimento rural.

A operacionalização da iniciativa resulta de uma parceria entre a CDM e a Empresa de Comercialização Agrícola (ECA), que assegura não apenas a compra do milho, mas também assistência técnica aos produtores ao longo de todo o ciclo produtivo. O apoio vai desde a selecção de sementes até à colheita, reduzindo constrangimentos comuns no sector, como falta de informação, acesso limitado a tecnologia e dificuldades de escoamento.

Acções como dias de campo e partilha de conhecimento entre agricultores têm vindo a reforçar as capacidades locais, tornando o modelo mais sustentável.

Para a CDM, a aposta no milho nacional insere-se numa estratégia de substituição de importações, com o objectivo de reduzir custos logísticos, dependência externa e riscos associados à volatilidade cambial. A empresa pretende alargar esta abordagem a outros insumos, como a produção local de garrafas, o que poderá estimular novas indústrias e gerar mais empregos.

O envolvimento das autoridades locais, sobretudo ao nível distrital, tem sido determinante para o sucesso da iniciativa, ao facilitar a ligação entre produtores e sector privado e garantir melhores condições de comercialização.

Especialistas apontam que este tipo de integração entre agricultura e indústria pode ser um dos caminhos para acelerar o crescimento económico em Moçambique. Ao ligar produção, processamento e mercado, o modelo cria uma cadeia de valor capaz de gerar rendimento, emprego e desenvolvimento regional.

Num contexto de necessidade de diversificação económica, iniciativas deste género surgem como uma alternativa concreta para fortalecer a base produtiva do país e reduzir a dependência externa. Redacção

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