ÚLTIMA HORA | Ossufo Momade deverá abandonar liderança da Renamo este ano

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A liderança de Ossufo Momade à frente da Renamo poderá estar a chegar ao fim. A informação foi avançada esta sexta-feira pela TV Miramar, que cita Hermínio Morais, porta-voz da I Reunião de Generais e oficiais superiores que teve lugar em Manica, encontro que decorre na cidade de Chimoio, reunindo oficiais generais e superiores do partido.

Segundo Morais, há um consenso crescente no seio das estruturas militares e políticas da Renamo de que Momade deverá deixar a presidência ainda este ano, abrindo caminho para uma nova liderança.

A reunião de Chimoio surge num momento particularmente delicado para o maior partido da oposição em Moçambique, marcado por divisões internas profundas, perda de influência política e contestação aberta à liderança de Momade.

A eventual saída de Ossufo Momade não surge como surpresa. Nos últimos anos, o líder da Renamo tem sido alvo de críticas recorrentes, tanto dentro como fora do partido.

Desde que assumiu a presidência, após a morte de Afonso Dhlakama em 2018, Momade tem enfrentado dificuldades em consolidar a unidade interna. A sua liderança foi frequentemente acusada de falta de carisma político, incapacidade de mobilização e gestão controversa dos interesses do partido.

A assinatura do acordo de paz com o Governo, embora vista como um marco histórico, também gerou descontentamento entre alas mais radicais da Renamo, que acusaram Momade de ter cedido em demasia.

Rebeliões internas e perda de controlo

O cenário agravou-se com o surgimento da chamada “Junta Militar da Renamo”, liderada por Mariano Nhongo, que contestou diretamente a liderança de Momade e mergulhou o partido numa nova onda de instabilidade armada. Mesmo após a morte de Nhongo, as fissuras internas nunca foram totalmente sanadas.

Nos últimos tempos, vozes críticas dentro do partido têm-se multiplicado, questionando não apenas a liderança de Momade, mas também os resultados eleitorais da Renamo, considerados decepcionantes face às expectativas.

A Renamo tem vindo a perder espaço no xadrez político nacional, enfrentando dificuldades em afirmar-se como alternativa credível ao poder da Frelimo. A incapacidade de capitalizar o descontentamento popular, aliada a disputas internas constantes, tem enfraquecido a imagem do partido.

A reunião de Chimoio é vista, por isso, como um momento decisivo: ou a Renamo se reorganiza e redefine a sua liderança, ou arrisca-se a aprofundar a sua crise e caminhar para a irrelevância política.

Ainda não está claro quem poderá suceder a Ossufo Momade, mas fontes internas indicam que há movimentações intensas nos bastidores, com diferentes alas a tentar posicionar os seus candidatos. Para já, o que parece certo é que o ciclo político de Momade está a aproximar-se do fim — não por vontade própria, mas como resultado de uma pressão acumulada ao longo dos últimos anos. Redacção

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