As duas aeronaves Embraer 190 adquiridas para reforçar a frota das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) continuam imobilizadas na África do Sul há cerca de seis meses, alimentando dúvidas sobre o processo de aquisição e levantando novas questões sobre a prometida modernização da transportadora aérea nacional.
Quando foram apresentadas ao público, as aeronaves surgiram como um dos principais símbolos da recuperação da companhia e do reforço da capacidade operacional da LAM. Contudo, meio ano depois, os aparelhos continuam sem transportar um único passageiro em território moçambicano.
A versão oficial indica que os aviões foram enviados para trabalhos de pintura e adaptação à nova identidade visual da empresa. A administração da LAM assegura que essas intervenções já foram concluídas e que as aeronaves deverão entrar em operação nos próximos dias.
Entretanto, informações divulgadas por órgãos de comunicação social, incluindo a STV, apontam para possíveis problemas técnicos que poderão estar a atrasar a entrada em serviço dos aparelhos. Entre as alegações constam avarias mecânicas, dificuldades na obtenção de peças de reposição e limitações de assistência técnica especializada.
O Governo afirma não ter confirmação oficial sobre estas informações, mas o prolongado período de imobilização dos aviões tem alimentado especulações e críticas de diversos sectores da sociedade.
Analistas ouvidos sobre o caso defendem maior transparência na gestão da companhia e exigem esclarecimentos sobre o investimento realizado. Para Ricardo Raboco e Ivan Maússe, a situação expõe fragilidades na condução do processo de revitalização da empresa.
Segundo os analistas, o cenário contrasta com o discurso oficial de modernização da LAM, numa altura em que a companhia continua a enfrentar limitações operacionais significativas.
Apesar dos anúncios de reforço da frota, fontes ligadas ao sector apontam que apenas duas aeronaves da empresa se encontram actualmente em operação regular.
O caso torna-se ainda mais sensível porque o plano governamental previa a aquisição de seis aeronaves até ao final do ano passado, uma meta que não chegou a ser concretizada.
Avaliados em cerca de 25 milhões de dólares, os dois Embraer 190 permanecem estacionados em Joanesburgo, enquanto aumentam as interrogações sobre quando, afinal, os “novos” aviões começarão a cumprir a missão para a qual foram adquiridos: voar. Redacção

