Mulheres exigem mais espaço e menos barreiras na mineração

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O projecto +Emprego II promoveu, na cidade de Nampula, um debate sobre inclusão feminina na indústria mineira, reunindo representantes do Governo, sector privado, sociedade civil e associações de mulheres para discutir obstáculos e soluções para reforçar a participação feminina no sector.

Realizado no Grand Plaza Hotel, o workshop, subordinado ao tema A Voz das Mulheres na Indústria Mineira: Perspectivas e Testemunhos, centrou-se em desafios como acesso limitado a financiamento, burocracia no licenciamento, precariedade das condições de trabalho e fraca presença feminina na mineração formal.

Promovido pelo +Emprego II, em parceria com a CTA e a Câmara de Minas de Moçambique, o encontro defendeu maior coordenação entre Governo, sector privado e sociedade civil para remover barreiras e ampliar oportunidades para mulheres no sector extractivo.

Durante o debate, Julina Harculete, presidente do Pelouro da Mulher, Jovens Empresários, PME e Empreendedorismo em Nampula, alertou para os custos elevados de licenciamento e para entraves burocráticos que, segundo disse, dificultam a entrada de mulheres na mineração, defendendo mecanismos específicos de apoio e um balcão único para assistência às operadoras.

Também Maria do Céu Luís Mutapate, da Associação Nlalia, em Namuno, chamou atenção para a insegurança na mineração artesanal e para dificuldades na comercialização do ouro, defendendo canais formais que beneficiem as operadoras e o Estado.

Já Regina Macuácua, directora nacional adjunta da Kenmare Resources, destacou a necessidade de aumentar a participação das mulheres em espaços de decisão no sector mineiro formal.

Entre as principais conclusões do encontro, os participantes recomendaram a desburocratização do licenciamento, reforço da fiscalização, promoção de cooperativas, apoio ao auto-emprego, capacitação técnica e criação de uma plataforma permanente de diálogo entre o Governo e o sector privado.

Dados apresentados no workshop indicam que apenas 13% dos mineradores formalizados em Moçambique são mulheres, um indicador apontado como revelador da persistência de desigualdades no acesso e participação no sector.

No encerramento, Cristina Paulo, coordenadora-geral do +Emprego II, afirmou que as recomendações saídas do encontro constituem uma agenda de transformação para ampliar a presença feminina na mineração e reforçar a inclusão económica.

O +Emprego II é financiado pela União Europeia e pelo Camões, I.P., com um orçamento de 8,5 milhões de euros para apoiar emprego e auto-emprego em Cabo Delgado e Nampula. Redacção

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