Quatro famílias denunciam viver em “prisão a céu aberto” junto à Escola Comunitária Bethel

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Quatro famílias residentes no bairro de Namutequeliua, na cidade de Nampula, acusam a direcção da Escola Secundária Comunitária Bethel de as manter numa situação que descrevem como uma “prisão a céu aberto”, marcada por intimidações, restrições de circulação e alegadas ameaças de detenção.

Localizada ao longo da Avenida Eduardo Mondlane, a Escola Comunitária Bethel funciona há mais de cinco anos e lecciona desde o ensino pré-escolar até ao nível médio. Segundo relatos recolhidos pelo NGANI, várias famílias que ocupavam a área onde foi erguido o estabelecimento foram indemnizadas e abandonaram o local. Contudo, quatro agregados familiares permaneceram nas suas residências, dando origem a um conflito que se arrasta há anos.

Uma das moradoras, que pediu anonimato, contou que, numa tentativa de resolver o diferendo, o proprietário da escola aproximou-se dela e sugeriu que procurasse uma residência noutro bairro para posterior negociação.

“Ele disse-me para procurar uma casa e depois voltar para lhe dizer quanto custava. Encontrei uma habitação e fui ter com ele, mas nunca mais deu continuidade ao assunto”, afirmou.

A mesma fonte diz que as condições de convivência se tornaram difíceis devido ao ruído provocado pelas actividades escolares.

“Aqui não é fácil viver. Há muito barulho e nem conseguimos conversar normalmente ou assistir televisão em casa. Só continuo aqui porque não tenho condições para me mudar”, lamentou.

Moradora denuncia tentativas de intimidação

Outra residente, Adelaide Alifeu, de mais de 60 anos de idade, contou que, em 2020, ainda em vida do seu marido, o caso chegou a ser encaminhado ao Conselho Municipal de Nampula, mas, segundo afirmou, a outra parte não compareceu na data marcada para a audição.

A anciã relatou ainda um episódio ocorrido em 2021, depois da morte do marido, envolvendo o seu filho e trabalhadores que transportavam carteiras escolares.

Segundo a sua versão, o jovem saiu do quarto para reclamar do ruído provocado pelos trabalhadores, situação que acabou por degenerar em agressões físicas.

“Quando saí para ver o que estava a acontecer, encontrei o dono da escola, que também é pastor, a ordenar aos seguranças para algemarem o meu filho. Eu disse que, se quisessem algemar alguém, que fosse a mim, porque sou a dona da casa. Felizmente, algumas pessoas intervieram”, contou.

Adelaide Alifeu afirma igualmente ter sido abordada posteriormente por agentes da Polícia da República de Moçambique à paisana, que a convidaram a prestar declarações na Quarta Esquadra da cidade de Nampula.

Contudo, segundo a entrevistada, antes de chegar à unidade policial, uma viatura em que seguia o chefe da segurança da escola interceptou os agentes, que acabaram por permitir o seu regresso a casa.

A moradora denuncia ainda que uma barraca construída com material precário foi demolida por ordem da direcção da escola, alegadamente por dificultar a circulação de alunos e professores.

Famílias queixam-se de restrições de circulação

As quatro famílias dizem enfrentar igualmente dificuldades de acesso às suas residências, alegando que, a partir das 18 horas, o portão principal é encerrado, obrigando os moradores a solicitar autorização aos seguranças para permitir a entrada de familiares e visitantes. “Quando recebemos visitas, temos de telefonar para saberem que estão no portão e depois pedir aos guardas para deixarem entrar. Não sabemos como será em caso de doença ou de uma emergência durante a noite”, disse Adelaide Alifeu.

Nos termos da legislação moçambicana, os processos de ocupação de terrenos e reassentamento devem ser acompanhados de compensações adequadas ou da disponibilização de alternativas que garantam condições dignas às famílias afectadas. As famílias ouvidas pelo NGANI defendem que nunca chegaram a um entendimento com os proprietários da escola e reclamam uma solução definitiva para o conflito.

Escola não comentou acusações

A nossa reportagem procurou ouvir a versão do proprietário da Escola Secundária Comunitária Bethel. No entanto, este mostrou-se indisponível para prestar declarações. Assim, as acusações apresentadas pelas famílias permanecem sem contraditório por parte da direcção do estabelecimento de ensino. Celestino Manuel

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