Dois jovens enviados pelo próprio patrão para depositar 2 milhões de meticais numa agência bancária em Nampula terão decidido apropriar-se de parte do dinheiro e, depois de gastarem cerca de 900 mil meticais, terão recorrido a uma suposta história de assalto para justificar o desaparecimento da quantia.
A missão, à partida, parecia simples: transportar o dinheiro e efectuar o depósito. Confiados pelos seus patrões, os dois jovens receberam os 2 milhões de meticais e seguiram viagem. Mas, segundo as informações disponíveis, algures pelo caminho o plano terá mudado.
Cerca de 900 mil meticais terão sido gastos. E, perante o desfalque, os jovens terão adoptado uma segunda estratégia: simular um roubo. A versão apresentada aos proprietários do dinheiro era a de que tinham sido atacados e que os 2 milhões de meticais lhes haviam sido roubados.
O problema é que a história começou a não fechar. Com o avanço das averiguações, surgiram contradições no relato apresentado pelos dois jovens, fazendo com que aquilo que inicialmente parecia ser um assalto passasse a ser investigado como uma possível encenação.
As suspeitas acabaram por se concentrar precisamente sobre aqueles que deveriam apenas transportar o dinheiro.
Em Nampula, os dois jovens foram detidos e apresentados pelas autoridades no âmbito do caso. Segundo a Polícia da República de Moçambique (PRM), diligências realizadas permitiram recuperar 2.427.000 meticais, embora os valores apresentados na descrição inicial do caso indiquem um montante de 2 milhões de meticais, diferença que deverá ser esclarecida pelas autoridades.
Os detidos, entretanto, negam as acusações e contestam a versão apresentada pela Polícia. O caso deixa, por enquanto, uma pergunta que resume toda a história: se o dinheiro tinha sido roubado, onde entram os 900 mil meticais que, segundo as autoridades, já haviam sido gastos?
A resposta caberá agora à investigação e, se for caso disso, às instâncias judiciais. Até lá, a acusação permanece uma acusação e os dois jovens beneficiam das garantias legais aplicáveis.
Mas uma coisa já parece clara: aquilo que começou como uma denúncia de roubo acabou por colocar os próprios mensageiros no centro da investigação. Redacção

