O presidente da Liga da Juventude da RENAMO, Ivan Mazanga, reconheceu publicamente que o ambiente interno no seio do partido continua tenso e carece de uma transformação urgente para evitar um colapso político que possa conduzir ao desaparecimento desta formação histórica.
Falando à margem da abertura da II Sessão Ordinária do Conselho Nacional da RENAMO, que se realiza em Nampula, Mazanga foi contundente ao afirmar que o partido vive uma das suas fases mais delicadas desde a fundação, apelando a uma autocrítica profunda e à adoção de medidas estruturantes que devolvam a esperança e a confiança dos militantes.
Segundo Mazanga, a RENAMO precisa reencontrar os caminhos da democracia interna e consolidar a alternância de liderança como pilar fundamental para a sua revitalização.
“Chegou o momento de sermos lógicos e ousados como nunca antes, porque estamos a atravessar momentos que nunca havíamos experimentado”, sublinhou Mazanga.
O líder juvenil apelou ao Conselho Nacional para que a RENAMO retome com urgência o seu papel central na definição dos destinos do país, através de acções concretas e coerentes com a vontade do povo moçambicano.
“Para que a RENAMO exerça esse papel com autoridade moral e política, é preciso olharmos para dentro de nós e fazermos, com coragem, o que deve ser feito”, enfatizou.
Mazanga considerou que os resultados das eleições de 2024 representaram um verdadeiro desastre político para o partido, tornando a RENAMO a terceira força eleitoral do país. “Isto é, no mínimo, inaceitável e intolerável para um partido com a dimensão histórica da RENAMO. Precisamos encontrar soluções profundas e estruturantes para inverter este cenário, que é péssimo e preocupante”, afirmou.
Com tom de preocupação, o líder da juventude apontou a necessidade de honestidade e realismo nas discussões internas, reconhecendo que o partido enfrenta fragilidades sérias. “Precisamos de olhar nos olhos e admitir que o nosso partido não está bem. A crise não é apenas de relacionamento interno, mas também de ligação com o povo, que sente cada vez mais distante a presença da RENAMO”, frisou.
Mazanga observou que, nos mercados, nos transportes e nas ruas, os cidadãos expressam desilusão e desconfiança em relação à capacidade do partido de responder às suas aspirações. “Temos de nos reconectar com o povo, porque é ele a razão da nossa existência. Se hoje somos a terceira força, amanhã poderemos não ser nada. Isso não honraria os nossos herois tombados nem os vivos que ainda acreditam nesta luta”, acrescentou.
O presidente da Liga da Juventude apelou para que o orgulho e as rivalidades internas deem lugar à união e ao compromisso com os ideais fundadores do partido. “A luta pela democracia, iniciada pelos nossos generais e combatentes, nunca foi apenas pela conquista do poder, mas sim pela libertação e pelo bem-estar do povo moçambicano”, recordou.
Para Mazanga, a RENAMO deve encarar com realismo a atual conjuntura política, reconhecendo que o número reduzido de assentos parlamentares é o reflexo direto da falta de coesão e de uma estratégia política clara.
Por Agostinho Miguel

