Fundação Tzu Chi Moçambique vence prémio internacional de sustentabilidade pelo projecto de reconstrução pós-Idai

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A Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique foi distinguida esta quarta-feira com o Prémio de Sustentabilidade Corporativa na edição 2025 do Asia-Pacific Sustainability Action Awards (APSAA), reconhecendo o impacto do seu programa de apoio à reconstrução após o ciclone Idai, em Sofala. A cerimónia teve lugar em Taipé, capital de Taiwan, e reuniu 96 instituições de 11 países.

Sob o lema “Impulsionando a Excelência em Sustentabilidade e a Responsabilidade Corporativa”, a edição deste ano destacou iniciativas com forte relevância social e alinhadas com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O projecto da Tzu Chi destacou-se pelo alcance comunitário e pela capacidade de transformar a vida de milhares de famílias afectadas por um dos mais devastadores ciclones que atingiu Moçambique, em 2019.

Em nota oficial, o júri da Taiwan Corporate Sustainability sublinhou que o projecto é conduzido por uma “equipa transnacional da Tzu Chi” e intervém em múltiplas frentes: construção de infraestruturas escolares, programas extracurriculares, alfabetização, formação profissional, educação humanística e fortalecimento do diálogo institucional.

Um investimento de 108 milhões de dólares que está a mudar vidas

O programa de reconstrução pós-Idai — designado “Hope” — resulta de um memorando de entendimento assinado com o Governo moçambicano ainda em 2019. Avaliado em 108 milhões de dólares, o projecto é financiado integralmente pelos mais de dez milhões de voluntários da organização espalhados pelo mundo.

Até Abril de 2026, a Tzu Chi comprometeu-se a entregar 3.000 casas e 23 escolas às comunidades atingidas na província de Sofala. Destas, 1.678 habitações e 14 escolas já estão concluídas, beneficiando milhares de famílias que perderam praticamente tudo quando o Idai — um ciclone de categoria 3 com ventos de 205 km/h — devastou o centro do país.

“O maior impacto foi a transformação das pessoas”

Ao receber o prémio, o presidente da Tzu Chi Moçambique, Dino Foi, afirmou que os resultados do projecto vão além do betão e do tijolo.

“O maior impacto não foi a infraestrutura física — foi a transformação das pessoas. As comunidades ganharam confiança, dignidade e a capacidade de moldar o seu próprio futuro”, destacou.

A Tzu Chi sublinha que o projecto tem procurado fortalecer não apenas infraestruturas, mas sobretudo a resiliência social, promovendo oportunidades de educação, capacitação profissional e integração comunitária.

Reconhecimento global e compromisso crescente com Moçambique

Além do prémio atribuído ao projecto “Hope”, a Tzu Chi Global arrecadou mais três distinções nesta edição do APSAA, entregues ao presidente do conselho de administração da organização, Po Wen Chen, como reconhecimento da amplitude e impacto das suas intervenções humanitárias em várias regiões do mundo.

Desde a sua fundação em Moçambique, em 2012, a organização tem vindo a reforçar a presença e a actuação no país, sobretudo após o desastre do Idai. Nos últimos anos, ultrapassou 20.000 famílias apoiadas em iniciativas de educação, reassentamento, saúde, segurança alimentar e resposta humanitária.

Sobre a Tzu Chi

Fundada em 1966 pela Venerável Mestre Cheng Yen, a Tzu Chi é hoje a maior organização humanitária de inspiração budista no mundo, presente em mais de 60 países. A sua missão assenta nos princípios de compaixão, serviço desinteressado e alívio do sofrimento humano, sem distinção de credo, raça ou nacionalidade.

Em Moçambique, a fundação foi implantada por Denise Foi e opera com cerca de 10.000 voluntários nacionais, promovendo uma cultura de paz, solidariedade e reconstrução comunitária, especialmente em contextos de emergência e calamidades naturais.

Com o prémio agora conquistado, a Tzu Chi reforça a sua posição como uma das organizações mais relevantes no apoio às populações afectadas pelos eventos climáticos extremos que têm marcado Ciclicamente o país — e reafirma o seu compromisso com a construção de um futuro mais digno e sustentável para as comunidades moçambicanas.

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