Foi-se Feliciano Gundana, o herói que nunca abandonou a nação

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
blank

Calou-se, na madrugada de segunda-feira, aos 85 anos, a voz firme e discreta de Feliciano Gundana, combatente da Luta de Libertação Nacional, membro fundador da FRELIMO e um dos pilares silenciosos sobre os quais se ergueu o Estado moçambicano. Vítima de doença, Gundana parte deixando um legado de serviço, disciplina e patriotismo raramente igualado.

A informação foi confirmada na manhã desta terça-feira pelo porta-voz da FRELIMO, Pedro Guiliche, que lamentou a perda de “um dos homens que dedicou toda a sua vida à causa pública, sem nunca reclamar protagonismo”.

Feliciano Gundana construiu o seu nome nos campos da luta e solidificou-o nos corredores do Estado. Formado em Electrotecnia na Suíça e com treino militar na República Popular da China, o General na reserva dedicou mais de quatro décadas ao serviço público, exercendo funções que moldaram gerações de quadros e influenciaram profundamente a administração pública moçambicana. Entre os seus orientandos encontram-se figuras de peso na política nacional, como o antigo ministro e deputado José Pacheco.

Entre 1978 e 1987, Gundana foi Governador de três das mais importantes províncias do país — Inhambane, Nampula e Zambézia. O seu desempenho valeu-lhe o reconhecimento nacional, tendo sido distinguido como o melhor governador do país e agraciado pelo então Presidente Samora Machel com a Ordem Socialista Trabalhista, um dos mais altos símbolos de mérito e dedicação à pátria.

O Estado moçambicano reconheceria de forma ainda mais solene o seu contributo décadas depois. Pelo Decreto Presidencial n.º 19/2015, de 24 de junho, Feliciano Gundana recebeu o Título Honorífico de Herói da República de Moçambique, distinção que partilhou com outra figura maior da luta: Marcelino dos Santos.

A cidade da Beira, em 2016, perpetuou o seu nome ao atribuí-lo a uma das avenidas de Chiveve — uma homenagem que traduz o respeito transversal que Gundana conquistou pelo país fora.

Com a sua partida, Moçambique perde não apenas um combatente histórico, mas um dos últimos guardiões da memória da libertação. Um homem que serviu com rigor, que formou outros para servir, que governou com disciplina e que carregou sempre, na reserva ou no activo, um profundo sentido de Estado.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *