O México vive uma nova onda de violência após a morte de Nemésio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, líder do poderoso Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG). Ele era considerado o narcotraficante mais influente do país depois de Joaquín “El Chapo” Guzmán, que cumpre prisão perpétua nos Estados Unidos desde 2016. Mas afinal, quem foi o homem que se tornou um dos criminosos mais temidos do mundo?
De agricultor pobre a barão da droga
Nemésio Oseguera nasceu em Julho de 1966, no estado de Michoacán, numa família humilde de produtores de abacate. Ainda jovem, atravessou ilegalmente a fronteira para os Estados Unidos, onde se envolveu com o tráfico de drogas nos anos 1990.
Em 1994, foi preso na Califórnia por conspiração para distribuir heroína e condenado a três anos de prisão. Depois de cumprir pena, regressou ao México.
De volta ao país, chegou a trabalhar como polícia no estado de Jalisco. No entanto, segundo investigações, o cargo servia apenas de fachada. Rapidamente retomou as ligações ao crime organizado e começou a subir na hierarquia do narcotráfico.
Antes de criar o seu próprio cartel, Oseguera actuou como chefe de pistoleiros do antigo Cartel Milenio e também esteve ligado ao Cartel de Sinaloa, uma das maiores organizações criminosas da América Latina.
Após a prisão de líderes rivais, surgiu um vazio de poder. Foi nesse contexto que nasceu, no início da década de 2010, o CJNG, grupo que rapidamente se transformou numa das organizações mais violentas e bem armadas do México.
Sob o comando de “El Mencho”, o cartel expandiu as suas operações para tráfico de cocaína, metanfetaminas e heroína, com ramificações internacionais.
Um dos mais procurados do mundo
O grupo demonstrou a sua força em Maio de 2015, quando reagiu a uma operação das forças de segurança com bloqueios simultâneos em várias cidades e chegou a derrubar um helicóptero militar, matando três soldados.
No ano seguinte, o CJNG foi acusado de sequestrar um dos filhos de “El Chapo” num restaurante em Puerto Vallarta. O jovem foi libertado dias depois, mas o episódio mostrou o nível de ousadia da organização.
“El Mencho” esteve durante anos na lista dos criminosos mais procurados pelas autoridades internacionais. Os Estados Unidos ofereciam uma recompensa de 15 milhões de dólares por informações que levassem à sua captura.
A sua morte agora abre uma nova disputa interna pelo controlo do cartel, alimentando confrontos armados em várias regiões mexicanas.
Analistas alertam que o desaparecimento de uma figura tão central pode provocar fragmentação do grupo e intensificar a violência, num país que há décadas enfrenta o poder dos cartéis da droga. Para muitos mexicanos, “El Mencho” simbolizava o rosto mais recente de um problema estrutural: a força do narcotráfico e a dificuldade do Estado em conter organizações que operam com poder financeiro e militar comparável ao de forças regulares. Redacção

