O Governo britânico anunciou, esta quinta-feira, uma reconfiguração da sua política de ajuda internacional, que prevê a redução do financiamento bilateral directo a países como Moçambique, em favor de Estados afectados por conflitos armados e crises humanitárias.
A decisão foi apresentada no Parlamento pela Secretária dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Yvette Cooper, que justificou a medida com a necessidade de reforçar o orçamento da defesa face ao actual contexto geopolítico global.
“Para financiar o aumento das despesas com a defesa, tivemos de tomar a decisão extremamente difícil de reduzir o orçamento de desenvolvimento nos próximos anos”, afirmou a governante.
O Reino Unido já havia anunciado, em Fevereiro, a redução da ajuda externa de 0,7% para 0,3% do Rendimento Nacional Bruto até 2027, numa tentativa de compensar o aumento dos gastos militares.
Com a nova orientação, cerca de 70% do apoio geográfico será canalizado para países considerados frágeis e afectados por conflitos, como Ucrânia, Gaza, Sudão e, mais recentemente, Líbano, cujos financiamentos serão integralmente protegidos no próximo ano.
Segundo Yvette Cooper, esta reconfiguração implica cortes no financiamento directo a outros países. “Países como Paquistão e Moçambique continuarão a ser prioridades de desenvolvimento, mas o financiamento directo será significativamente reduzido, sendo substituído por parcerias de investimento”, explicou.
Apesar da redução, Londres garante que continuará a apoiar programas multilaterais que operam em vários países em desenvolvimento, incluindo aqueles afectados por crises prolongadas como Iémen, Somália e Afeganistão.
A nova estratégia prevê ainda que pelo menos 90% dos programas bilaterais de desenvolvimento passem a integrar acções focadas em mulheres e raparigas, reforçando critérios de igualdade de género.
O Governo britânico sublinha que pretende concentrar os recursos disponíveis em áreas com maior impacto, promovendo estabilidade, criação de emprego e oportunidades económicas como via para combater a pobreza.
A decisão surge num momento em que vários países africanos, incluindo Moçambique, enfrentam desafios económicos e sociais significativos, podendo ver reduzido o apoio directo de um dos seus tradicionais parceiros de cooperação. Redacção

