A presidente Samia Suluhu Hassan tomou posse esta segunda-feira (3.11) para um novo mandato na Tanzânia diante de fortes denúncias de fraude eleitoral e violência generalizada, que a oposição afirma ter causado sete centenas de mortos.
A Comissão Eleitoral Nacional declarou Suluhu vencedora com 97,6% dos votos, após a exclusão e detenção dos dois principais adversários políticos. O pleito foi amplamente criticado por organizações internacionais pela falta de transparência e pelo uso excessivo da força.
A cerimónia de investidura, realizada numa base militar em Dodoma, decorreu sem público e com presença restrita de dirigentes do partido no poder (CCM) e de quatro chefes de Estado africanos entre eles o moçambicano Daniel Chapo.
O partido de oposição Chadema estima em mais de 700 o número de mortos durante os protestos que eclodiram no dia das eleições e nos dias seguintes. A ONU, a União Europeia e várias potências ocidentais exigiram investigação independente e contenção das autoridades.
As forças de segurança tanzanianas, porém, negam qualquer repressão, e o governo rejeita as alegações de massacres. Já a Amnistia Internacional fala em uma “onda de terror” marcada por detenções arbitrárias, tortura e desaparecimentos.
Com 68 milhões de habitantes, a Tanzânia enfrenta agora um profundo clima de tensão política e um apagão informativo, com o acesso à internet suspenso desde o início da votação.

