Centro de Saúde de Mutava Rex vira palco de revolta após paralisação total dos serviços

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O lançamento da Semana Africana de Vacinação no Centro de Saúde de Mutava Rex, no bairro de Namicopo, está a gerar forte contestação por parte de utentes, após a paralisação total dos serviços clínicos nas primeiras horas desta quinta-feira.

Segundo relatos no local, a unidade sanitária suspendeu o atendimento para dar lugar à cerimónia oficial, deixando dezenas de pacientes sem assistência, incluindo casos considerados urgentes.

Utentes que se dirigiram ao centro desde o início da manhã denunciam abandono e falta de resposta por parte dos profissionais de saúde, numa situação que classificam como grave. “Estamos aqui desde às 5 horas com crianças doentes. Nenhum serviço está a funcionar. Isso é grave e pode provocar mortes. A minha filha está com febre e fomos mandados apenas para aguardar”, relatou Sónia Ali, visivelmente indignada.

A utente acusa ainda os profissionais de saúde de terem abandonado os postos de atendimento para participar no evento institucional. “Dizem que o maior valor é a vida, mas hoje fomos abandonados. Todos os enfermeiros estão no lançamento da campanha”, afirmou.

Outro utente, Ali Momade, disse estar no local desde as 6 horas sem qualquer assistência médica, apesar de apresentar dores intensas. “Devia haver pelo menos uma equipa mínima para atender os pacientes”, criticou.

Os pacientes consideram inaceitável que uma actividade de sensibilização, destinada a salvar vidas, esteja a comprometer o atendimento de pessoas que necessitam de cuidados imediatos. Para os utentes, o episódio expõe fragilidades na organização dos serviços de saúde e levanta dúvidas sobre a definição de prioridades no sector.

A indignação generaliza-se entre os presentes, que alertam para os riscos de repetição de situações semelhantes. “Não se pode parar um hospital para fazer festa. Saúde não pode esperar”, desabafou um dos utentes.

Entretanto, no âmbito da campanha, a administradora do distrito de Nampula, Etelvina Fevereiro, apelou aos pais e encarregados de educação para reforçarem a adesão às campanhas de vacinação, destacando a importância da mobilização comunitária.

A responsável afirmou que o distrito não regista níveis significativos de recusa à vacinação, considerando o cenário encorajador. “Eu tenho a marca de uma vacina de 1976, que evitava a varíola. Hoje essa doença já não existe, o que mostra a importância de vacinar as nossas crianças”, declarou.

Dados apresentados pelas autoridades indicam que o distrito tem superado as metas de cobertura vacinal em vários indicadores. Na vacina BCG, contra a tuberculose, estavam previstas 4.192 crianças, tendo sido imunizadas cerca de 7.681. Já no total de crianças vacinadas, a meta de 4.892 foi ultrapassada, com 6.859 beneficiários registados.

No que diz respeito à vacinação contra o cancro do colo do útero, os números também indicam superação das metas estabelecidas. Paralelamente, estão em curso acções complementares, como suplementação com ferro, administração de vitamina A, desparasitação com mebendazol e rastreio nutricional. Agostinho Miguel

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