Internacional
Protestos pós-eleitorais na Tanzânia já provocaram cerca de 700 mortos, alerta oposição
A Tanzânia atravessa uma grave crise política e humanitária. Segundo o partido de oposição Chadema, cerca de 700 pessoas morreram desde quarta-feira, dia em que começaram os protestos pós-eleitorais em várias cidades do país.
Félix Filipe
O porta-voz do Chadema, John Kitoka, disse à AFP que “em Dar Es Salaam morreram cerca de 350 pessoas, em Mwanza mais de 200, e somando outras regiões do país chegamos a aproximadamente 700 mortos”. Ele apelou ao governo para “parar a matança de manifestantes e respeitar a vontade do povo”, enquanto anunciava novas manifestações para hoje na capital comercial.
Os protestos começaram após a exclusão do Chadema das eleições gerais, depois que o partido se recusou a assinar o código eleitoral, alegando que ele não incluía reformas exigidas para garantir transparência e justiça eleitoral. O líder do partido, Tundu Lissu, detido desde Abril, enfrenta acusações de traição, crime punível com a pena de morte, enquanto outros dirigentes-chave foram presos nas semanas anteriores.

O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos apelou ao governo da Tanzânia para que não use força desproporcional contra manifestantes pacíficos.
O clima de tensão tem levado a confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança, com relatos de disparos, uso de gás lacrimogéneo e detenções arbitrárias. As mortes e ferimentos geram alarme internacional, mas as autoridades tanzanianas mantêm silêncio sobre o número real de vítimas e qualificam os distúrbios como “incidentes isolados”.
Reações internacionais
O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos apelou ao governo da Tanzânia para que não use força desproporcional contra manifestantes pacíficos. Organizações regionais e a União Europeia também exigem investigações independentes sobre as mortes e detenções.
A situação reflecte riscos para a estabilidade da Tanzânia e da região, podendo afectar investimentos, relações diplomáticas e a confiança da população no processo democrático. Especialistas alertam que a repressão violenta pode intensificar a crise, criando um ciclo de violência e instabilidade.

Apesar da repressão, o Chadema mantém a mobilização e convoca novos protestos em Dar es Salaam, buscando pressionar o governo e garantir que a voz da oposição seja ouvida.
Enquanto isso, a comunidade internacional observa atentamente, com apelos por diálogo, justiça eleitoral e responsabilização dos responsáveis pelas mortes. Para Moçambique e outros países vizinhos, a situação é um alerta sobre os efeitos de processos eleitorais contestados e do uso da força contra civis.