O iPhone 17 e a escravidão do status…

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A Apple acaba de lançar o iPhone 17: mais fino, mais veloz, mais resistente, com câmeras de alta definição e novos recursos de ponta. É um feito tecnológico admirável. Mas, junto com o brilho do lançamento, vem também a febre da ilusão. A cada ano o palco é o mesmo: multidões correm para ter o “último modelo”, mesmo que o de ontem ainda funcione perfeitamente.

Vivemos num tempo em que a necessidade foi substituída pelo status. Já não se compra para suprir carências, mas para alimentar o ego. Já não se pensa em funcionalidade, mas em ostentação.

É neste cenário que muitos dos nossos rapazes procuram no iPhone o poder que não têm dentro de si. Sem força interior, sem identidade sólida, recorrem ao brilho exterior para tentar conquistar respeito ou atrair as moças.

E, tristemente, muitas das nossas irmãs se rendem a esse jogo, trocando sua dignidade por um pedaço de metal e vidro. Vendem-se por migalhas tecnológicas que em poucos meses perderão valor. O iPhone perde valor a cada ano. Mas quando perdes a tua dignidade, o prejuízo é para toda a vida.

O que poucos percebem é que estamos diante de um vício coletivo: o vício do consumo. A cada setembro, milhões se enfileiram não apenas diante das lojas da Apple, mas diante da lógica de uma sociedade de obsolescência programada, onde tudo é fabricado para envelhecer rápido, para perder sentido, para te obrigar a desejar de novo. Autores como Vance Packard já denunciaram essa engrenagem no clássico the waste makers, mostrando como a indústria cria a necessidade artificial de substituir o que ainda funciona.

E, sem perceber, tornamo-nos marionetas do comércio global. Uma sociedade consumidora que já não questiona, já não reflete, mas apenas segue a onda. Acorda com uma pergunta: o que eu preciso comprar para ser aceito?

É verdade: existem aqueles que podem comprar sem sentir, porque têm abundância. E não há mal nisso. O erro não está em desfrutar do fruto do teu trabalho. O erro está em sacrificar o pouco que tens apenas para mostrar ao colega ou à colega: “eu também posso”.

Esse é o retrato de uma juventude viciada em aparências. Um vício tão perigoso quanto qualquer outro, porque consome não apenas dinheiro, mas também futuro, dignidade e caráter. Antes de cair na febre do próximo lançamento, cada um deveria parar e se perguntar: o meu telefone atual já não faz chamadas?

Já não acessa a internet? Já não resolve as minhas necessidades do dia a dia? Então, qual é a real necessidade de trocar? Grave isso: se não ganhas como eles, não gastes como eles. Compra quem pode. Mas quem não pode, deve ter a coragem de dizer não ao vício da ostentação.

Lembremo-nos disto: um celular perde valor a cada ano. Mas o investimento em ti mesmo multiplica valor para toda a vida. E no final, o verdadeiro status não é o iPhone que tens na mão, mas a vida sólida que estás a construir.

Rodrigo Natal (A verdade sem anestesia)

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