O Governo anunciou um plano para retomar a produção nacional de vacinas destinadas ao combate de doenças que afectam o sector pecuário, prevendo investir cerca de 600 mil dólares norte-americanos na produção local de imunizantes contra o carbúnculo hemático e carbúnculo sintomático, bem como na continuidade da produção da vacina contra a doença de Newcastle.
O anúncio foi feito esta segunda-feira, na cidade de Maputo, durante a abertura da Reunião Nacional de Sanidade Animal, realizada sob o lema “Fortalecer a Sanidade Animal para Garantir a Saúde Pública e Segurança Alimentar”.
Na ocasião, o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, destacou a importância estratégica da pecuária para a economia nacional, sublinhando que o subsector registou um crescimento estimado de 4,55 por cento e continua a desempenhar um papel relevante na geração de rendimento e segurança alimentar.
Segundo o governante, a retoma da produção nacional de vacinas deverá contribuir para reduzir a dependência externa e aumentar a capacidade de resposta do país perante surtos de doenças animais.
Roberto Albino revelou ainda que a campanha nacional de vacinação animal, iniciada a 29 de Abril e inicialmente prevista para terminar a 30 de Maio, foi prolongada até 15 de Julho devido a constrangimentos relacionados com a disponibilidade e importação de vacinas.
De acordo com o ministro, embora Moçambique disponha de recursos financeiros para adquirir os imunizantes necessários, a escassez de vacinas afecta vários países africanos e resulta de limitações na capacidade global de produção.
“As vacinas estão a ser importadas do Uruguai e, após os procedimentos logísticos, seguiram para a África do Sul, de onde serão transportadas para Moçambique. Esta situação demonstra que o mundo enfrenta uma crise de sanidade animal e que os produtores não estavam preparados para responder à crescente procura por vacinas e medicamentos veterinários”, explicou.
No âmbito da campanha nacional, o Governo prevê vacinar cerca de 2,4 milhões de bovinos contra o carbúnculo hemático, um milhão contra o carbúnculo sintomático, 2,4 milhões contra a febre aftosa e 1,3 milhões contra a dermatose nodular.
Paralelamente, os serviços veterinários mantêm ao longo do ano campanhas de vacinação contra a doença de Newcastle em galinhas e contra a raiva em cães e gatos.
A operação de aquisição e distribuição de vacinas representa um investimento global estimado em cerca de 600 milhões de meticais, financiado pelo Banco Mundial, Governo da Índia, Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
Perante os desafios que afectam o sector, Roberto Albino reafirmou o compromisso do Governo em fortalecer os serviços veterinários nacionais através da modernização da vigilância epidemiológica, reforço dos laboratórios, implementação de mecanismos mais rigorosos de biossegurança, capacitação dos recursos humanos e intensificação das acções de educação e sensibilização sanitária.
Para o executivo, o reforço da sanidade animal constitui uma condição indispensável para proteger a saúde pública, garantir a segurança alimentar e impulsionar o desenvolvimento sustentável do sector pecuário nacional. Redacção

