Manuel Tocova critica Governador de Nampula: “Marchas não acabam com droga”

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O político Manuel Tocova defende que o combate ao consumo de drogas em Moçambique deve começar pela criação de emprego para os jovens, considerando insuficientes as estratégias assentes apenas em marchas e campanhas públicas de sensibilização recentemente promovidas pelo governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula.

Em entrevista ao jornal NGANI, Tocova, que assumiu interinamente a presidência do Conselho Municipal de Nampula após a morte de Mahamudo Amurane, afirmou que a falta de oportunidades económicas está na origem do agravamento do consumo de drogas entre os jovens e que, sem respostas concretas nesse domínio, as campanhas públicas terão impacto reduzido.

“O problema não é falta de marchas. O problema é falta de emprego. Enquanto o jovem não tiver trabalho, vamos continuar a falar e nada mudará”, afirmou.

Segundo Tocova, o consumo de substâncias ilícitas está directamente associado ao desemprego, à ausência de rendimento e à frustração enfrentada por milhares de jovens que, mesmo depois de concluírem os estudos, continuam sem perspectivas de inserção no mercado de trabalho. “Um jovem sem ocupação, sem renda e sem esperança acaba por procurar saída na droga. Não é porque quer, é porque não vê alternativa”, declarou.

O político considera preocupante o facto de o país continuar a formar jovens sem capacidade de absorção pelo mercado laboral, situação que, segundo ele, tem alimentado sentimentos de revolta e desespero. “Temos jovens com 10.ª classe, 12.ª classe e até licenciados sem emprego. Isso gera frustração. Muitos acabam por cair no consumo de drogas como forma de aliviar a pressão do dia-a-dia”, disse.

Tocova criticou ainda as políticas públicas direccionadas à juventude, apontando um fosso entre o discurso oficial e a realidade social vivida no terreno. Para ele, o Governo continua a anunciar inclusão e oportunidades, mas os jovens permanecem afastados de soluções concretas.

“Fala-se de inclusão e de oportunidades, mas, na prática, não há respostas reais. Depois querem combater a droga sem resolver a principal causa, que é o desemprego”, criticou.

Durante a entrevista, Tocova manifestou preocupação com o aumento do consumo de metanfetamina, conhecida popularmente por “sal”, substância cuja circulação, segundo afirmou, tem vindo a crescer na província de Nampula e noutras regiões do país.

“Hoje fala-se muito do ‘sal’, mas isso cresce porque há jovens desesperados. Não é apenas Nampula. É o país inteiro que enfrenta esta realidade”, alertou.

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Para o político, o combate às drogas exige uma abordagem mais ampla, que inclua programas de formação profissional, apoio social e maior envolvimento das comunidades. “Não se resolve com discursos nem campanhas. Resolve-se com trabalho, formação e condições para o jovem viver com dignidade”, defendeu.

Tocova apelou ainda ao envolvimento conjunto de partidos políticos, organizações da sociedade civil e líderes comunitários, argumentando que respostas isoladas reduzem a eficácia das medidas adoptadas. “Não é um partido sozinho que vai resolver isto. É preciso unir forças, ouvir todos e agir em conjunto”, afirmou.

Além da questão das drogas, o político aproveitou a ocasião para criticar a situação socioeconómica do país, apontando o desemprego, a pobreza e o atraso no pagamento de salários como factores que agravam a vulnerabilidade das famílias moçambicanas.

Segundo Tocova, há funcionários públicos em vários distritos a acumularem meses sem remuneração, situação que considera insustentável. “Em Monapo, por exemplo, há funcionários que estão há cinco meses sem salário. Como é que uma pessoa vive assim? Depois querem combater a corrupção e outros males, mas ignoram estas condições”, declarou.

Na sua opinião, a irregularidade no pagamento de salários cria instabilidade social e contribui para o aumento de práticas ilícitas e comportamentos de risco. “Quando o Estado não cumpre com os seus próprios trabalhadores, está a empurrar essas pessoas para situações difíceis. Isso afecta toda a sociedade”, afirmou.

Tocova responsabilizou o Governo da Frelimo pelo agravamento das dificuldades sociais, acusando o Executivo de falta de compromisso na resolução dos problemas que afectam sobretudo os funcionários públicos e os jovens desempregados.

“O povo está a sofrer. Não é discurso que resolve. É acção concreta: pagar salários, criar emprego e garantir condições mínimas de vida”, disse. E concluiu: “O país precisa de soluções reais, não de promessas. O primeiro passo é dar trabalho aos jovens, pagar salários a tempo e devolver dignidade ao povo moçambicano.”

Agostinho Miguel

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