Política
MEC ouve o país para redesenhar o ensino técnico da próxima década
O Governo arrancou com um vasto processo de auscultação nacional para traçar o rumo da nova Estratégia Nacional da Educação Profissional 2026–2035, que pretende modernizar o ensino técnico e adequá-lo às exigências reais do mercado de trabalho moçambicano.
Entre 21 de Outubro e 7 de Novembro, equipas do Ministério da Educação e Cultura (MEC) percorrem todas as capitais provinciais para recolher opiniões, preocupações e propostas dos principais actores do sector — desde o governo local e o sector privado até às instituições de ensino técnico-profissional, sociedade civil e parceiros de cooperação.
Segundo o MEC, trata-se de um processo “de escuta e co-construção”, que pretende garantir que a futura estratégia reflicta as diferentes realidades e prioridades do país, sobretudo no que toca à empregabilidade dos jovens e à ligação entre formação e desenvolvimento económico.
Nos primeiros encontros, realizados na Zambézia (21 e 22 de Outubro) e em Cabo Delgado (24 e 25 de Outubro), o debate centrou-se na urgência de tornar o ensino técnico mais prático, inclusivo e ligado à indústria. Participantes sublinharam que muitas escolas profissionais ainda formam jovens para profissões em declínio, enquanto sectores emergentes — como energias renováveis, mineração ou agroindústria — carecem de mão-de-obra qualificada.
“Queremos que esta estratégia coloque o jovem no centro: que o que ele aprende o leve directamente a um emprego digno”, explicou um dos representantes da Direcção Nacional da Educação Profissional (DNEP), órgão que coordena o processo.
Inovação, sustentabilidade e equidade
O documento em preparação deverá substituir a actual estratégia (em vigor desde 2016) e colocar maior ênfase na inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental e igualdade de género. Pretende ainda fortalecer as parcerias com o sector produtivo, considerado “peça-chave na criação de oportunidades reais de estágio e emprego” para os recém-formados.
Durante os workshops, os participantes são encorajados a partilhar boas práticas, apontar lacunas estruturais e sugerir soluções adaptadas a cada província, desde a qualidade dos formadores à modernização dos equipamentos nas escolas técnicas.
O MEC reforça que o êxito da Estratégia 2026–2035 dependerá do envolvimento activo de todos os intervenientes. “Não basta escrever uma estratégia; é preciso garantir que ela nasça das vozes de quem vive e trabalha no sistema todos os dias”, frisou um técnico do ministério.
Depois da Zambézia e de Cabo Delgado, o processo segue agora para as restantes províncias, num movimento que o Governo quer verdadeiramente representativo e orientado para resultados concretos. A meta é clara: fazer da educação profissional um motor de emprego, inovação e inclusão para a próxima década.