Doentes internados e seus acompanhantes no Hospital Rural de Ribáuè, na província de Nampula, denunciaram alegadas limitações na alimentação fornecida pela unidade sanitária, afirmando que, há vários dias, o feijão-cute tem sido o principal — e, em alguns casos, o único — acompanhamento servido às refeições.
Os denunciantes manifestam preocupação com a situação, considerando que uma alimentação pouco diversificada poderá comprometer a recuperação dos pacientes, sobretudo daqueles que permanecem internados por períodos prolongados.
Isidro Bolacha, acompanhante de um familiar internado há mais de duas semanas, afirmou ao NGANI que as refeições disponibilizadas pelo hospital têm sido repetitivas.
“Desde que estamos aqui, praticamente só é servido feijão-cute. Tememos que esta alimentação não seja suficiente para a recuperação dos doentes”, afirmou.
O entrevistado apelou às autoridades do sector da Saúde para averiguarem a situação e adoptarem medidas que garantam uma alimentação considerada adequada às necessidades dos pacientes.
Outro acompanhante, Cardoso Francisco, descreveu como preocupante o cenário vivido na unidade sanitária. Segundo relatou, o seu tio tem recusado consumir as refeições fornecidas pelo hospital, alimentando-se, em alguns dias, apenas de frutas levadas pela família.
“Trouxemos o nosso familiar para receber tratamento e bons cuidados, mas a alimentação deixa-nos preocupados”, disse.
O entrevistado acrescentou que, caso a situação persista, a família poderá ponderar levar o doente de regresso à comunidade, por considerar que ali terá melhores condições para se alimentar.
Além das alegadas limitações na alimentação, alguns acompanhantes queixaram-se de dificuldades no abastecimento de água na unidade sanitária, afirmando que, em determinadas ocasiões, são obrigados a transportar água a partir das suas residências ou de outros pontos de abastecimento.
Segundo os relatos, a situação afecta com maior intensidade os familiares provenientes dos postos administrativos e de localidades mais distantes da sede distrital, obrigados a percorrer longas distâncias para obter água destinada ao consumo dos pacientes e acompanhantes.
Direcção da Saúde rejeita existência de crise alimentar
Confrontada com as denúncias, a direcção do Hospital Rural de Ribáuè não prestou declarações ao NGANI sobre o assunto.
Contactado telefonicamente, o director distrital de Saúde, Mulher e Acção Social de Ribáuè, Manuel Eduardo, rejeitou a existência de uma crise alimentar na unidade sanitária.
Segundo o responsável, o armazém do hospital dispõe de quantidades suficientes de diversos produtos alimentares, razão pela qual considera que as alegações não correspondem à situação existente.
Ainda assim, Manuel Eduardo admitiu a possibilidade de existirem constrangimentos na distribuição interna dos alimentos, comprometendo-se a averiguar o caso junto da direcção da unidade sanitária.
“Não temos registo de uma crise alimentar. Contudo, vamos inteirar-nos da situação para perceber se existe algum problema na distribuição das refeições”, afirmou.
Até ao fecho desta edição, o director distrital de Saúde ainda não havia voltado a pronunciar-se sobre o resultado das diligências anunciadas.
Esta não é a primeira vez que surgem queixas relacionadas com a alimentação no Hospital Rural de Ribáuè. Em Março deste ano, pacientes e acompanhantes denunciaram uma situação semelhante, que, segundo informações das autoridades locais na altura, foi posteriormente atenuada com a intervenção do Governo Provincial. Celestino Manuel

