Jornalistas denunciam salários baixos e ameaças à liberdade de imprensa em Moçambique

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O Secretariado Nacional de Jornalistas (SNJ) reconheceu avanços no exercício da profissão em Moçambique, mas lançou um alerta contundente sobre os problemas persistentes que continuam a fragilizar a classe, desde baixos salários até ameaças à liberdade de imprensa.

Em conferência de imprensa realizada esta quinta-feira na cidade de Nampula, o secretário-geral do SNJ, Faruck Sadique, destacou melhorias no cumprimento da ética e deontologia profissional, mas advertiu que ainda existem práticas que comprometem a credibilidade do jornalismo no país.

O dirigente defendeu que a qualidade do jornalismo depende, em grande medida, do compromisso dos próprios profissionais, apelando a uma maior responsabilidade individual e colectiva no respeito pelas normas éticas.

Apesar dos progressos, o SNJ aponta desafios estruturais significativos, como dificuldades no acesso à informação, crescimento de órgãos de comunicação social fora do controlo sindical e ameaças recorrentes à liberdade de imprensa.

No plano laboral, o cenário é descrito como crítico. O sindicato denuncia contratos precários, salários baixos e a prática de manter jornalistas durante anos como estagiários ou voluntários, sem garantias legais. A organização acusa ainda algumas entidades empregadoras de não cumprirem obrigações sociais básicas, como o pagamento à segurança social e a disponibilização de seguros de trabalho.

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Faruck Sadique

Outro problema identificado é a ausência de regulamentação efectiva da profissão, o que facilita a entrada de pessoas sem formação adequada no sector. Para enfrentar este desafio, o SNJ defende a implementação urgente do estatuto do jornalista e da carteira profissional, medidas consideradas essenciais para disciplinar o acesso à profissão e elevar os padrões de qualidade.

Ainda assim, o sindicato sublinha sinais positivos, como a expansão da sua presença para novos distritos da província de Nampula, reforçando a mobilização da classe.

Faruck Sadique reiterou também o compromisso do SNJ em prestar apoio jurídico aos seus membros, em parceria com o MISA Moçambique, sobretudo em casos de perseguição e violação da liberdade de imprensa.

As celebrações do 11 de Abril, data que assinala os 48 anos do SNJ, terão lugar este ano em Nampula, sob o lema “48 anos pela ética, liberdade de imprensa e justiça laboral”, reflectindo os principais desafios que continuam a marcar o jornalismo moçambicano. Agostinho Miguel

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