Nampula: Preço do “chapa 100” continua sem travão e vai ao debate

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A definição do novo preço das tarifas de transporte semi-colectivo na cidade de Nampula continua envolta em incertezas, depois de uma auscultação pública realizada na última sexta-feira (08), que reuniu o Conselho Municipal, a Associação dos Transportadores Rodoviários de Nampula (ASTRA) e representantes da sociedade civil.

O encontro foi convocado na sequência da recente subida do preço dos combustíveis, mas terminou sem consenso sobre o valor que os passageiros deverão passar a pagar nos populares “chapas 100”.

Durante o debate, os transportadores defenderam um aumento significativo das tarifas, propondo, na prática, a duplicação do preço actualmente em vigor, fixado em 10 meticais.

Segundo os operadores, os custos de funcionamento aumentaram drasticamente e a actividade tornou-se financeiramente insustentável devido ao agravamento do preço dos combustíveis e de outros materiais indispensáveis ao sector.

Por sua vez, o Conselho Municipal rejeita, para já, um aumento imediato dessa magnitude e propõe uma solução baseada em troços intermédios.

Neste modelo, os passageiros passariam a pagar 10 meticais por cada segmento percorrido, o que significa que viagens mais longas poderão obrigar ao pagamento de duas ou mais tarifas, dependendo da distância.

Na prática, um passageiro que saia do mercado de Waresta até à paragem da CIPAL pagaria 10 meticais. Caso prosseguisse a viagem para outro ponto da cidade, teria de desembolsar mais 10 meticais pelo troço seguinte.

A proposta pretende evitar um aumento único elevado, distribuindo o custo ao longo do percurso.

O presidente do Conselho Municipal de Nampula, Luís Giquira, defendeu a necessidade de diálogo entre todas as partes, apelando à busca de uma solução equilibrada. “Precisamos ouvir-nos e chegar a um consenso”, afirmou.

Giquira sublinhou que os utentes enfrentam sérias dificuldades económicas e dependem diariamente dos chapas para garantir sustento às suas famílias. “Os passageiros não viajam por turismo. Estão à procura de pão”, declarou, numa referência à dura realidade social vivida por grande parte da população.

O edil questionou ainda a viabilidade de um aumento acentuado das tarifas num contexto em que os salários permanecem praticamente inalterados. “Se não houve aumento de salário, de onde vai sair o dinheiro para pagar transporte mais caro?”, perguntou.

Num apelo directo aos transportadores, Giquira pediu responsabilidade nas decisões a serem tomadas. “Temos que pensar nos munícipes. Eles são os nossos patrões”, afirmou.

O presidente do município alertou igualmente que qualquer decisão aprovada agora poderá manter-se durante vários anos, mesmo que o preço do combustível venha a baixar futuramente.

Por sua vez, o presidente da ASTRA, Luís Vasconcelos, sugeriu uma solução gradual para ultrapassar o impasse.

Segundo explicou, seria possível aprovar a proposta actualmente em análise e, posteriormente, rever os valores em função da evolução dos custos operacionais. “Vamos aprovar o documento e depois sentar novamente para ajustar”, afirmou.

Vasconcelos revelou ainda que decorrem negociações com o Governo central visando a criação de mecanismos de apoio ao sector dos transportes. “Está a ser discutido um subsídio para os transportadores”, disse.

O responsável apelou igualmente à calma entre os operadores, defendendo que o momento exige diálogo e coordenação para encontrar uma solução sustentável.

Entretanto, o activista social Gamito dos Santos Carlos criticou propostas que, segundo ele, não constam do documento oficial actualmente em discussão. “O que não está no documento não deve ser discutido”, afirmou.

Gamito defendeu ainda que a população não deve ser penalizada com aumentos elevados num momento marcado por fortes dificuldades económicas.

O activista chamou igualmente atenção para problemas antigos no sector, como o encurtamento de rotas, prática que obriga os passageiros a pagar várias vezes na mesma deslocação. “Muitas pessoas não chegam ao destino final e acabam pagando mais do que o previsto”, explicou.

A proposta final deverá ser apreciada esta terça-feira (12), durante a plenária da Assembleia Municipal de Nampula, onde se espera uma decisão sobre o novo modelo tarifário dos transportes semi-colectivos na cidade. Agostinho Miguel

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