A província de Nampula registou 32 óbitos por cólera desde Setembro de 2025, num universo acumulado de 2.341 casos, segundo dados divulgados pelo sector provincial de Saúde. A informação foi avançada pela directora provincial de Saúde, Selma Xavier, após uma sessão do governo provincial dedicada à avaliação da evolução do surto na região.
Do total de mortes notificadas, 23 ocorreram nas comunidades e nove em unidades sanitárias, um dado que preocupa as autoridades por revelar que a maioria das vítimas não chegou atempadamente aos serviços de saúde.
Os distritos de Memba, Eráti, Nacala-Porto e Monapo concentram o maior número de casos. Entretanto, Nacala-a-Velha, Liupo, Mogovolas e Mogincual são apontados como zonas sob risco elevado de novos focos da doença.
Em Nacala-Porto, uma equipa técnica do Ministério da Saúde encontra-se no terreno para avaliar a introdução de vacinação em massa, medida que poderá ser adoptada para travar as cadeias de transmissão, caso os critérios epidemiológicos o justifiquem.
Incidente em Monapo
Em Monapo, a resposta sanitária enfrentou um episódio de tensão, após membros da comunidade terem retido profissionais no Centro de Saúde de Mecuco, sob alegação de que estes estariam a “levar cólera” para as localidades.
A situação levou ao encerramento temporário da unidade sanitária e só foi ultrapassada após intervenção das autoridades distritais, da Polícia da República de Moçambique (PRM) e realização de palestras comunitárias de sensibilização. Os profissionais retomaram posteriormente as suas actividades.
A directora provincial de Saúde esclareceu que a cólera é transmitida principalmente pela via fecal-oral, através do consumo de água ou alimentos contaminados. A transmissão também pode ocorrer por contacto directo entre pessoas, sobretudo em contextos de fraca higiene, incluindo o manuseamento de objectos contaminados.
Os Centros de Tratamento de Cólera (CTC) são considerados pontos sensíveis no controlo da doença. A presença de acompanhantes sem adequada descontaminação pode perpetuar a transmissão. Por isso, as autoridades reforçam a necessidade de controlo rigoroso de entradas, higienização frequente das mãos e cumprimento das normas sanitárias.
Medidas de prevenção reforçadas
Como parte da resposta ao surto, equipas de saúde estão a distribuir kits de higiene nas comunidades afectadas. Pelo menos 15 residências circundantes a cada caso confirmado recebem materiais para tratamento da água, sabão e orientações básicas de educação sanitária.
O encontro multissetorial que analisou a situação contou com representantes dos sectores de saúde, obras públicas, educação e ambiente, numa abordagem que visa atacar as causas estruturais da doença, nomeadamente o acesso limitado à água potável, saneamento inadequado e práticas de higiene deficitárias.
As autoridades apelam à população para que procure imediatamente a unidade sanitária mais próxima em caso de diarreia aquosa intensa, principal sintoma da cólera, reforçando que o tratamento é gratuito e eficaz quando iniciado precocemente. Agostinho Miguel

