Terrorismo empurrou exames para 2026: Mais de três mil alunos retomam provas em Nampula

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Mais de três mil alunos que abandonaram as suas escolas devido às incursões terroristas no norte da província de Nampula iniciaram, esta segunda-feira (19), a realização de exames especiais, numa tentativa do sector da Educação de recuperar um ano lectivo interrompido pela violência armada.

As provas decorrem nos distritos de Memba e Eráti e abrangem alunos da 6.ª classe do ensino primário, 9.ª classe do ensino básico e 10.ª classe do ensino secundário que não conseguiram fazer os exames finais de 2025 devido à instabilidade provocada pelos ataques.

No primeiro dia, os candidatos realizaram provas de Português e Ciências Naturais. Para esta terça-feira (20) estão agendados os exames de Matemática e Ciências Sociais, estando o processo previsto para terminar na próxima quinta-feira (22). As avaliações decorrem em vários centros especialmente criados para o efeito, com uma adesão considerada significativa por parte de alunos que regressaram recentemente às suas zonas de origem, após meses de deslocação forçada.

Segundo o director provincial da Educação em Nampula, William Tunzine, a medida visa garantir que as crianças afectadas pelo terrorismo não fiquem excluídas do sistema de ensino.

“Os ataques ocorreram nas vésperas dos exames finais de 2025 e impediram a avaliação de cerca de quatro mil alunos. Desses, conseguimos localizar fisicamente mais de três mil, que estão agora a realizar as provas”, explicou.

De acordo com o responsável, a maioria dos alunos vem do distrito de Memba, havendo igualmente cerca de 500 candidatos provenientes de Eráti. Para viabilizar os exames, o sector da Educação criou 110 centros de avaliação e abriu ainda um subcentro no distrito de Nacarôa, para atender alunos cujas famílias se deslocaram para aquela região.

Mais de uma centena de professores está envolvida no processo, com acompanhamento de técnicos da Direcção Provincial da Educação e da Inspecção Escolar, num esforço logístico que procura responder a um dos impactos mais silenciosos do conflito armado: a interrupção do percurso escolar de milhares de crianças.

Pais e encarregados de educação consideram a iniciativa uma oportunidade de retoma. Em Chipene, Carlito Mário, representante dos pais, afirmou que muitos alunos ficaram afastados da escola devido à insegurança.

“Houve crianças que estavam muito longe das escolas por causa dos transtornos causados pelos terroristas. Esta iniciativa ajuda a recuperar o tempo perdido”, disse.

Os alunos, por sua vez, manifestam alívio por poderem concluir o ano lectivo. Rafael Mário Avelino, estudante deslocado em Chipene, contou que pensava ter perdido definitivamente a oportunidade de fazer os exames.

“Nós fugimos por causa do terrorismo e achávamos que não íamos fazer exames. Agora já estamos aqui e sentimos que a situação está mais calma”, afirmou, descrevendo o primeiro dia de provas como tranquilo.

A realização destes exames especiais devolve, ainda que tardiamente, alguma normalidade ao percurso escolar de milhares de crianças, num contexto em que a violência armada continua a deixar marcas profundas no sistema educativo da região norte do país.

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