O campeonato provincial de futebol de Nampula voltou a ficar manchado este domingo (05), depois do jogo entre São Simão de Muatala e Associação Desportiva de Angoche não se ter realizado por falta de policiamento no campo da Subestação, no bairro de Muatala.
As duas equipas chegaram a subir ao relvado, mas o quarteto de arbitragem decidiu não dar início à partida ao constatar a ausência das condições mínimas de segurança exigidas pelos regulamentos da competição.
Mesmo após cerca de 30 minutos de tolerância, não foi possível reunir o número necessário de agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) para garantir a ordem no recinto.
A situação gerou ainda mais indignação pelo facto de existir um posto policial nas imediações do campo, que, no entanto, não conseguiu responder à demanda. No momento, apenas um agente encontrava-se em serviço, impossibilitado de abandonar o local para assegurar o jogo.
Fontes indicam que o São Simão submeteu previamente um pedido formal de policiamento, sem obter resposta eficaz. Ainda foram mobilizados alguns agentes de última hora, mas em número insuficiente — o regulamento exige pelo menos quatro efectivos para jogos oficiais.
Perante este cenário, o encontro foi cancelado e, de acordo com as normas da prova, os pontos deverão ser atribuídos à equipa visitante, Associação Desportiva de Angoche.
A partida era aguardada com expectativa pelos adeptos, tendo em conta o histórico competitivo entre as duas formações. O São Simão procurava iniciar a competição com uma vitória em casa, enquanto a equipa de Angoche, tradicionalmente forte fora de portas, prometia um duelo equilibrado.
No entanto, o espectáculo ficou pelo caminho.
O episódio ocorreu na presença de dirigentes da Associação Provincial de Futebol de Nampula, incluindo o presidente, Januário Pastola, e o secretário-geral, Samuel Tagir, que optaram por não prestar declarações, mesmo perante o cancelamento de um jogo oficial.

Entre os adeptos, o sentimento foi de revolta. Abdul Lourenço, simpatizante do São Simão, afirmou que não é a primeira vez que a equipa é prejudicada por falhas organizativas, sobretudo no arranque das competições.
Já Komar Mbewa, cidadão congolês residente no centro de refugiados de Maratane, que se deslocou para assistir ao jogo, considerou o episódio “uma vergonha”, defendendo que em competições oficiais a segurança deve ser garantida automaticamente.
O caso expõe, mais uma vez, fragilidades na coordenação entre clubes, autoridades policiais e a entidade organizadora, levantando sérias dúvidas sobre a credibilidade do Nampulense e afastando o público dos campos.
Até ao momento, não há qualquer posicionamento oficial da PRM nem da organização do campeonato sobre o sucedido. Agostinho Miguel
