O político moçambicano António Muchanga formalizou, no Palácio da Justiça da cidade de Maputo, uma contestação judicial à decisão da RENAMO que determinou a sua suspensão do partido, recusando a medida e defendendo a sua ilegalidade.
À saída do tribunal, Muchanga afirmou que não reconhece a legitimidade da decisão disciplinar e sustentou que a questão deverá agora ser apreciada pela instância judicial competente. “Tenho 59 anos, já não há ninguém que me possa dar medo”, declarou, numa referência ao que considera ser uma tentativa de intimidação política.
O antigo dirigente do maior partido da oposição aproveitou a ocasião para reiterar críticas à actual gestão interna da RENAMO, defendendo a necessidade de uma “limpeza profunda” na organização. Segundo afirmou, existem indícios de má gestão e alegados desvios de fundos que, no seu entender, devem ser esclarecidos.
Muchanga advertiu que, caso persistam dúvidas sobre a gestão financeira, poderá ser necessário o envolvimento do Gabinete Central de Combate à Corrupção para apurar eventuais responsabilidades.
Questionado sobre uma eventual candidatura à presidência do partido, o político afirmou que, antes de qualquer disputa interna, é prioritário restaurar a transparência e reorganizar a estrutura partidária. Sem avançar formalmente uma candidatura, defendeu que o partido precisa de reformas internas para recuperar credibilidade.
As declarações evidenciam o aprofundamento das tensões no seio da RENAMO, num momento em que se intensificam debates sobre liderança, disciplina partidária e gestão financeira. Até ao momento, a direcção do partido não reagiu publicamente à contestação apresentada por Muchanga.
O caso segue agora os trâmites legais, podendo abrir um novo capítulo na já complexa dinâmica interna da principal força política da oposição em Moçambique. Redacção

