O Governo moçambicano confirmou que decorrem negociações com entidades interessadas em assumir a gestão da Mozal, a maior unidade industrial do país, que se encontra com a produção suspensa desde Março devido ao aumento dos custos de energia eléctrica.
A informação foi avançada esta terça-feira pelo porta-voz do Conselho de Ministros, Salim Valá, que explicou que uma equipa composta por várias instituições está a acompanhar o processo, sem, contudo, revelar os potenciais interessados.
“Há uma equipa que está a trabalhar nesta matéria com as entidades relevantes e outras partes interessadas. Não seria apropriado divulgar desenvolvimentos intermédios antes da conclusão do processo”, afirmou.
Na segunda-feira, a empresa australiana South32, accionista maioritária da fundição de alumínio localizada em Maputo, anunciou que está a avaliar várias opções para o futuro da unidade, cuja actividade foi suspensa a 15 de Março.
Segundo a empresa, a paralisação mantém-se enquanto decorrem estudos sobre possíveis soluções para garantir a continuidade do projecto.
Entretanto, a Corporação para o Desenvolvimento Industrial da África do Sul (IDC), que detém 32,48% das acções da Mozal, está a analisar a possibilidade de adquirir a participação da South32, que controla 63,7% do empreendimento, e relançar a produção.
Para o efeito, a instituição sul-africana lançou, no passado dia 10 de Junho, um concurso destinado à contratação de consultores independentes para avaliar a viabilidade comercial, os riscos e as condições necessárias para uma eventual aquisição da empresa e o reinício das operações.
Os estudos deverão incluir uma avaliação técnica da fundição, os custos de reactivação da produção, a identificação de fontes alternativas de energia e a definição de um modelo de financiamento e de gestão para a futura operação.
Contudo, qualquer decisão sobre a retoma das actividades dependerá da garantia de um fornecimento de energia eléctrica estável, sustentável e a preços considerados competitivos.
A South32 justificou a suspensão das operações com a proposta tarifária apresentada pela empresa sul-africana Eskom, responsável pelo fornecimento de energia à Mozal. Segundo a companhia australiana, o preço proposto rondava os 100 dólares por megawatt-hora, valor considerado economicamente inviável.
Durante uma reunião com investidores, o director executivo da South32, Graham Kerr, afirmou que menos de um por cento das fundições de alumínio existentes fora da China operam com custos de energia superiores a 50 dólares por megawatt-hora. A empresa indicou que o limite máximo sustentável para a Mozal seria de 51 dólares por megawatt-hora.
A fundição necessita de cerca de 950 megawatts de energia para funcionar continuamente. A electricidade é proveniente da Hidroeléctrica de Cahora Bassa e é fornecida através da rede da Eskom. O contrato de fornecimento expirou em Março deste ano.
A Mozal é considerada a maior fundição de alumínio de África e uma das principais unidades industriais de Moçambique. Antes da suspensão das actividades, empregava cerca de quatro mil trabalhadores. O Estado moçambicano detém uma participação de 3,9% no empreendimento. Redacção

