Governo e Banco Mundial apostam em mega-programa agrícola após fracasso do Sustenta

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O Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP) anunciou que está a alinhar com o Banco Mundial uma estratégia de desenvolvimento das cadeias de valor agrícolas destinada a expandir a produção de alimentos no país, no âmbito de um novo programa que deverá entrar em vigor antes da campanha agrária 2026/27.

A informação foi avançada pelo Ministério, no balanço de uma visita de trabalho de três dias do ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, à província de Sofala, acompanhado pelo representante do Banco Mundial em Moçambique, Fily Sissoko, e por quadros técnicos do sector.

A missão enquadra-se na preparação do Programa de Desenvolvimento das Cadeias de Valor do Agronegócio de Moçambique (MozAgriBiz), associado à iniciativa Agri-Connect, igualmente financiada pelo Banco Mundial, que pretende mobilizar investimentos privados para aumentar a produção agrícola e a capacidade nacional de processamento.

Durante a visita, o ministro defendeu a necessidade de mecanismos de financiamento mais acessíveis para os produtores e considerou que o combate à dependência alimentar exige investimentos em larga escala.

“A solução para reduzir a importação de alimentos passa por um maior investimento na produção. E temos de investir numa escala muito elevada”, afirmou Roberto Mito Albino.

No distrito do Dondo, em Sofala, o governante orientou as autoridades locais a identificarem novas áreas de produção, com o objectivo de expandir a superfície cultivada de 2.000 para 10.000 hectares.

Por seu turno, Fily Sissoko disse que a visita permitiu identificar constrangimentos relacionados com sistemas de irrigação, drenagem, diques, estradas, sementes, fertilizantes e serviços de extensão agrária, factores que continuam a limitar o crescimento do sector.

O representante do Banco Mundial manifestou a expectativa de que o novo programa esteja operacional antes do início da campanha agrária 2026/27.

Entretanto, especialistas e organizações ligadas ao sector agrícola defendem que o sucesso da nova iniciativa dependerá da capacidade do Governo e dos seus parceiros em responder às fragilidades que comprometeram programas anteriores, nomeadamente dificuldades de acesso ao financiamento, insuficiências na assistência técnica, problemas de comercialização e limitada sustentabilidade dos investimentos.

Lançado com a ambição de transformar a agricultura nacional, o programa Sustenta beneficiou milhares de produtores, mas os seus resultados foram alvo de críticas e questionamentos quanto ao impacto efectivo na redução das importações de alimentos e na transformação estrutural do sector. Redacção

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