Prémios Mozal Artes e Cultura 2025: Kulungwana apresenta Edição Nacional em Nampula e apela à participação de artistas locais

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A cidade de Nampula acolheu, nesta terça-feira (10), uma sessão especial de apresentação da 5ª edição dos Prémios Mozal Artes e Cultura, numa iniciativa da Kulungwana, Associação para o Desenvolvimento Cultural, que pretende alargar a representatividade geográfica do concurso e quebrar o estigma de que apenas artistas de Maputo são contemplados.

A apresentação decorreu na casa provincial da Cultura e contou com a presença de artistas, produtores e fazedores culturais da cidade e foi conduzida por Sara Machado, gestora do projecto na Kulungwana, que apelou directamente à participação de criadores do norte do país, em especial da província de Nampula.

“Em todas estas áreas nós gostávamos muito de ter candidaturas de Nampula. A concorrência é nacional e temos conseguido premiar artistas de outras províncias, mas geralmente não recebemos propostas daqui. As pessoas muitas vezes queixam-se nas redes de que só ganham artistas de Maputo, mas a verdade é que não estamos a receber candidaturas das províncias”, explicou Machado.

Segundo a responsável, a fraca adesão de candidatos de Nampula e outras regiões do norte tem-se revelado um entrave à diversidade e representatividade cultural do concurso, apesar da abertura total e transparente do processo.

“Precisamos das vossas candidaturas para que um dia possamos, de facto, ter vencedores provenientes de todas as províncias. Estas sessões que estamos a realizar são para quebrar essa barreira”, reforçou.

A edição 2025 contempla sete categorias: Artes Visuais, Cinema e Audiovisuais, Dança, Fotografia, Teatro, Design de Moda e Vestuário, e Música. Em cada categoria haverá três nomeados, com ampla divulgação do seu trabalho, sendo apenas um o vencedor do prémio financeiro no valor de 120 mil meticais.

As candidaturas estão abertas desde 12 de maio e decorrem até 30 de junho. Os interessados devem submeter os seus trabalhos através de formulários online disponíveis no site da Kulungwana, acompanhados dos documentos exigidos no regulamento.

Machado alertou para a importância da leitura atenta dos regulamentos e preparação atempada das candidaturas.

“Já passou algum tempo desde a abertura e muitos artistas ainda não começaram. Não é um processo complicado, mas exige algum cuidado. Há vários documentos a reunir, por isso é melhor começarem cedo.”

No entanto, a gestora mostrou-se apreensiva com o nível de participação até ao momento. Segundo ela, áreas como Moda e Teatro ainda não têm qualquer candidatura registada, enquanto Artes Visuais lidera em número de submissões.

“Às vezes as pessoas não entendem: não há assim tanta gente a concorrer. Neste momento, têm muito mais possibilidades de ganhar porque há menos concorrência. Talvez daqui a alguns anos o cenário seja diferente e mais competitivo.”

Após o fecho das candidaturas, uma equipa de triagem irá verificar o cumprimento dos requisitos. ‘‘Esta fase decorre em julho e é seguida da avaliação artística pelo júri, durante o mês de agosto. Os nomeados e vencedores serão selecionados até ao início de setembro, sendo a divulgação oficial feita entre outubro e novembro, culminando com a gala de premiação dos Prémios Mozal Artes e Cultura’’, disse.

Entre os artistas presentes na sessão, Celso Makssuca, baterista da banda Marrove, manifestou entusiasmo com a oportunidade e encorajou outros criadores da província a concorrerem.

“Estamos a concorrer na área de música. É motivo de satisfação. Trazemos bons conteúdos à sociedade e acreditamos que temos um bom trabalho. Espero que colegas dos distritos também participem, não só os da cidade de Nampula.”

Desde a sua criação em 2018, os Prémios Mozal Artes e Cultura já destacaram 70 nomeados e premiaram 25 vencedores, com um valor total de prémios atribuídos que ascende a três milhões de meticais, segundo dados apresentados por Lucrécia Uamba, directora de assuntos externos da Mozal.

“Mais do que distinguir talentos, queremos criar um espaço de visibilidade e reconhecimento para os nossos criadores, cuja dedicação e inovação representam o futuro das artes em Moçambique”, sublinhou Uamba.

Por Lourenço Soares

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