O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), em coordenação com a Polícia da República de Moçambique (PRM), desmantelou uma rede de tráfico de drogas que operava no distrito de Mossuril, província de Nampula. A operação resultou na apreensão de 60,93 quilogramas de anfetaminas e heroína, e culminou com a detenção de 11 indivíduos, dos quais dois são de nacionalidade tanzaniana.
Em conferência de imprensa realizada esta terça-feira em Nampula, a porta-voz do SERNIC, Enina Tsinine, explicou que a intervenção das autoridades foi desencadeada após informações confidenciais sobre uma descarga de drogas prevista para o dia 9 de junho, no posto administrativo de Lunga, em Mossuril.
“Fizemo-nos ao local, tendo sido feita a apreensão, em flagrante delito, de 53 embalagens de um produto que, após testes, revelou ser droga do tipo anfetamina, bem como heroína,” declarou Enina Tsinine.
No decurso das investigações, populares invadiram o posto policial de Lunga e subtraíram parte da droga apreendida. Face ao sucedido, o SERNIC avançou com novas diligências a 12 de junho, tendo resultado na detenção de mais dois indivíduos e apreensão de quatro pacotes adicionais, dois de anfetamina e dois de heroína.
A porta-voz revelou ainda que alguns dos detidos afirmam ter recebido a droga de membros da própria polícia.
“Nós pudemos acolher das próprias vítimas que alguns alegam ter recebido a droga de agentes da PRM, afectos no distrito de Lunga. Outros dizem ter adquirido com elementos ligados à polícia marítima, incluindo um comandante adjunto,” denunciou Tsinine.
Entre os detidos está também um funcionário do Conselho Municipal de Monapo, ligado ao licenciamento de embarcações de pesca, suspeito de facilitar o tráfico.
Segundo o SERNIC, cada embalagem era comprada por 650 mil meticais, com a intenção de ser revendida a 170 mil meticais por unidade. Para além da droga, as autoridades apreenderam uma viatura, diversos telemóveis e cartões bancários dos indivíduos detidos.
“Estes são cidadãos que saíram da cidade de Nampula a convite de outros três, para o distrito de Lunga. São pessoas que entram só para fazer este tipo de negócio ou crime,” observou a porta-voz.
A operação ainda está em curso, e o número de arguidos passou de cinco para onze, graças ao avanço das investigações. O SERNIC está também a apurar o real vínculo dos alegados membros das forças de defesa e segurança mencionados nos depoimentos.
“Neste momento, o foco é fazer a recuperação de toda a droga que se encontra nas mãos alheias,” concluiu Tsinine.
Por Agostinho Miguel

