A petrolífera italiana Eni confirmou, esta quinta-feira, a decisão final de investir na construção da sua segunda unidade flutuante de gás natural liquefeito (GNL) em Moçambique. O projecto, designado Coral North, deverá colocar o país entre os maiores produtores africanos do recurso.
A assinatura do acordo decorreu em Maputo, num hotel de referência, com a presença do Presidente da República, Daniel Chapo, e do director executivo da Eni, Claudio Descalzi.
De acordo com a empresa, a nova plataforma será uma réplica da Coral South, instalada no Rovuma Basin e responsável, desde 2022, pelas primeiras exportações moçambicanas de GNL para a Europa. Quando entrar em funcionamento, o Coral North permitirá duplicar a capacidade nacional de produção, superando as 7 milhões de toneladas anuais.
Claudio Descalzi destacou os ganhos previstos para o país: “O projecto irá mais do que duplicar os benefícios para Moçambique. Estima-se uma geração de 23 mil milhões de dólares em receitas fiscais, mais oportunidades de emprego, maior integração de fornecedores nacionais e a atribuição de cerca de 3 mil milhões de dólares em contratos a empresas locais”.
As operações estão projectadas para arrancar em 2028.
Ao contrário das iniciativas da TotalEnergies e da ExxonMobil, que têm enfrentado sucessivos adiamentos devido à insegurança em Cabo Delgado, o Coral North será construído em mar aberto, longe das zonas mais afectadas pela insurgência. A TotalEnergies prepara-se para levantar em breve a cláusula de força maior que suspendeu o seu projecto avaliado em 20 mil milhões de dólares, enquanto a ExxonMobil deverá tomar a decisão final de investimento no próximo ano.
Apesar do reforço militar ruandês no norte do país, os ataques armados continuam a preocupar investidores e autoridades.
No mercado financeiro, o Eurobond de Moçambique com maturidade em 2031 registou ganhos esta semana, impulsionado pela confirmação da Eni em avançar com o Coral North e pela expectativa de retoma do projeto da TotalEnergies, segundo Samir Gadio, responsável pela estratégia africana no Standard Chartered Bank.
O consórcio responsável pelo Coral North integra a Eni (50%), a China National Petroleum Company (20%), a Korea Gas Corporation (10%), a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos – ENH (10%) e a XRG, subsidiária da ADNOC (10%).

