Líderes do sector privado africano estão a intensificar a pressão contra-alegadas práticas discriminatórias na indústria energética, apelando ao boicote de eventos internacionais que excluem profissionais e empresas africanas de posições relevantes.
O alerta surge num comunicado divulgado pelo African Energy Chamber, que acusa a Frontier Energy Network de marginalizar sistematicamente talentos africanos nos principais fóruns do sector.
Segundo o documento, estas práticas comprometem décadas de progresso no desenvolvimento energético do continente, incluindo a capacitação local, a transferência de conhecimento e a participação económica de empresas africanas. “O modelo apresentado como parceria global está, na prática, a extrair valor de África enquanto limita a participação dos próprios africanos”, refere o comunicado.
O posicionamento ganha força num contexto em que países como Moçambique e Gana já tomaram medidas concretas. Em março de 2026, operadores do sector petrolífero e do gás moçambicano retiraram-se da Cimeira Africana de Energia, realizada em Londres, alegando falta de inclusão e transparência. Dias depois, a Câmara de Energia do Gana seguiu o mesmo caminho, denunciando práticas de contratação discriminatórias.
Agora, o apelo estende-se a países como Nigéria e Senegal, considerados motores do crescimento energético regional, para que reavaliem a sua participação em plataformas que, segundo os críticos, perpetuam a exclusão.
O director-geral da Alliance Energy, Ndjuga Dieng, defende uma posição firme por parte dos países africanos.
“África não pode continuar a assistir à exclusão do seu próprio talento. A inclusão não é opcional — é a base do crescimento”, afirmou.
O comunicado destaca ainda exemplos considerados positivos, como o modelo adoptado pela própria Alliance Energy, que aposta no desenvolvimento de competências locais e na criação de instituições de formação, como o Instituto Nacional de Petróleo e Gás no Senegal.
Especialistas defendem que o futuro do sector energético africano depende de parcerias equilibradas, que garantam participação efectiva de empresas e profissionais locais, ao lado de investidores internacionais.
Neste contexto, o boicote a eventos considerados excludentes é visto como uma estratégia para forçar mudanças no sector e assegurar que o crescimento energético do continente seja acompanhado por maior inclusão e justiça económica.
FONTE
African Energy Chamber

