A Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) manifestaram, esta quinta-feira, em Maputo, a vontade de reforçar a colaboração em iniciativas voltadas para a educação e o bem-estar das crianças em situação de vulnerabilidade, sobretudo na província de Sofala.
O encontro teve lugar nas instalações do Unicef e serviu para explorar mecanismos de actuação conjunta que permitam ampliar o alcance das duas organizações no apoio a comunidades afectadas por desastres naturais.
“Queremos unir esforços para que mais crianças tenham acesso a uma educação condigna e a oportunidades que lhes permitam crescer com dignidade e valores sólidos”, afirmou Dino Foi, presidente da Tzu Chi em Moçambique.
Desde a passagem do ciclone Idai, em 2019, Sofala tornou-se o epicentro das ações da Tzu Chi no país. A fundação, de inspiração budista e presente em mais de 60 países, comprometeu-se a investir 108 milhões de dólares em habitação, educação, saúde e segurança alimentar na região.
No sector da educação, a organização tem em curso a construção de 23 escolas, das quais mais de metade já foram concluídas. Dez dessas infraestruturas foram inauguradas oficialmente em Setembro deste ano, numa cerimónia dirigida pelo Presidente da República, Daniel Chapo. Entre as próximas entregas está a maior escola primária do país, avaliada em 3,9 milhões de dólares, localizada na cidade da Beira.
A fundação já entregou também a Escola Secundária de Mafambisse, orçada em 13 milhões de dólares, considerada atualmente a maior instituição pública do ensino secundário em Moçambique.
Parceria para além das infraestruturas
De acordo com Dino Foi, a actuação da Tzu Chi não se limita à construção de casas ou escolas. “Percebemos que é necessário acompanhar as comunidades no uso desses espaços, sobretudo as crianças. Por isso, acreditamos que a experiência do Unicef pode ser fundamental para integrar valores como amor, respeito e dignidade no processo educativo”, explicou.
A Tzu Chi defende o uso de manuais de aforismos como ferramenta pedagógica complementar para reforçar a educação moral e cívica.
Mary Louise Eagleton, representante do Unicef em Moçambique, mostrou abertura para explorar esta proposta. “As crianças precisam de referências éticas e cívicas, especialmente no contexto actual. O material desenvolvido pela Tzu Chi, por estar adaptado à realidade africana, pode acrescentar valor se for integrado com os currículos nacionais”, destacou.
Uma presença crescente
Instalada em Moçambique desde 2012, a Tzu Chi intensificou a sua intervenção após o Idai. Só em Sofala, já foram entregues 1.611 das três mil casas previstas para famílias reassentadas. Paralelamente, mais de 20 mil famílias beneficiaram de programas de apoio ligados à educação, saúde e segurança alimentar.
Em escala global, a organização já trabalhou lado a lado com o Unicef. Em 2022, a fundação doou 10 milhões de dólares à agência da ONU, destinados a apoiar mulheres e crianças deslocadas pela guerra na Ucrânia.
A intenção agora, segundo as duas instituições, é que Moçambique se torne um novo exemplo de cooperação prática entre elas, com foco em dar às crianças não apenas escolas, mas também valores para o futuro.

