A KFC África revelou, esta semana, o verdadeiro “segredo” da marca — e não se trata da famosa mistura de 11 ervas e especiarias, mas sim de uma “receita de esperança” para combater a fome infantil.
O anúncio foi feito durante o evento The Biggest Hunger Hack, realizado em Joanesburgo, onde a empresa apresentou ao mundo uma nova versão do seu programa Add Hope, de acesso aberto e partilhável globalmente.
A iniciativa, que existe há 16 anos e é o maior programa de alimentação não governamental da África do Sul, visa inspirar novas soluções colaborativas no combate à fome. O projecto ganhou novo impulso depois de uma hackathon que reuniu 60 jovens talentos, em parceria com a Universidade de Joanesburgo, para redesenhar a “receita” do Add Hope e torná-la ainda mais eficaz.
“A Geração Z em África é fundamental para acabar com a fome. Eles entendem-na porque a viveram ou testemunharam, e dominam a tecnologia e o pensamento sistémico como poucos. Por isso entregámos-lhes o nosso projecto para que o transformassem em novas soluções de esperança”, explicou Andra Nel, directora de Assuntos Corporativos da KFC África.
Segundo a empresa, as melhores ideias surgidas durante a hackathon serão testadas nos próximos meses e poderão receber até 1 milhão de rands em financiamento inicial. Uma proposta colaborativa será apresentada na Convenção Nacional de 2026, como “a solução da Geração Z” para a fome infantil.
O sucesso do Add Hope assenta no princípio da colaboração: cada cliente que doa 2 rands ao comprar uma refeição KFC contribui para um fundo que alimenta milhares de crianças em situação de vulnerabilidade. Desde a sua criação, o programa já angariou mais de 1,2 mil milhões de rands, dos quais 400 milhões foram doados pela própria empresa.
“Sabemos que a colaboração é a única forma de ampliar esta luta. Convidámos líderes empresariais, governamentais e da sociedade civil a juntarem-se a nós”, sublinhou Nel, destacando novas parcerias com empresas como McCormick, Coca-Cola Beverages South Africa, Tiger Brands, CBH e Nature’s Garden.
O vice-chanceler da Universidade de Joanesburgo, professor Letlhokwa Mpedi, elogiou a iniciativa como um exemplo de inovação social com impacto directo.
“Os nossos estudantes demonstraram como o conhecimento e a tecnologia podem gerar soluções práticas e escaláveis para aliviar a fome infantil”, afirmou.
Fome e pobreza andam juntas
Durante o painel do evento, especialistas e líderes sociais chamaram atenção para as causas estruturais da fome. O Dr. Imtiaz Sooliman, fundador da Gift of the Givers, lembrou que “a fome não é um problema de um dia — é um estado contínuo de privação”.
De acordo com Siya Leshabane, da ONU Mulheres, a África do Sul está entre os 20 países que concentram 65% da pobreza extrema mundial. “A fome afecta o desenvolvimento cognitivo e o desempenho escolar das crianças. É um ciclo que perpetua a pobreza”, disse.
O Dr. Marc Aguirre, da HOPE Worldwide, classificou a fome infantil como uma “crise de desenvolvimento nacional”, afirmando que o atraso no crescimento das crianças reduz o PIB em cerca de 10%.
A KFC acredita que a abertura do modelo Add Hope pode revolucionar a forma como as empresas enfrentam desafios sociais. “Já não estamos apenas a alimentar crianças, estamos a alimentar um movimento capaz de acabar com a fome infantil para sempre. Essa é a receita secreta de que o mundo realmente precisa”, concluiu Andra Nel.
O Add Hope fornece mais de 30 milhões de refeições por ano e apoia milhares de centros de alimentação em toda a África do Sul. A iniciativa integra o compromisso da KFC com a inclusão, a capacitação juvenil e o desenvolvimento comunitário.
A KFC está presente em África desde 1971 e conta atualmente com mais de 1.400 restaurantes em 22 países. Além de servir refeições, a marca investe em programas de formação e bolsas de estudo para jovens, como a Streetwise Academy e o Ikusasa Lethu, reforçando a sua filosofia de “alimentar o potencial” do continente.

