O líder da RENAMO, Ossufo Momade, afirmou estar disposto a respeitar decisões colectivas do partido, incluindo a possibilidade de renunciar à presidência caso essa seja a decisão tomada pelos membros. Momade lembrou que foi eleito no último congresso e que não pretende concorrer na próxima eleição interna, abrindo espaço para que a nova geração assuma a liderança do movimento político.
Momade encontra-se desde esta quarta-feira (15) na província de Nampula, onde participará na segunda sessão ordinária do Conselho Nacional da RENAMO, marcada para quinta-feira (16), na cidade capital da província. À chegada, foi recebido por membros e simpatizantes do partido.
Em declarações à imprensa, Momade descreveu o Conselho Nacional como uma “festa do partido”, destinada a fortalecer a organização e promover decisões estratégicas para o bem do país. Sobre possíveis divergências internas, afirmou que o divisionismo é natural em qualquer formação política, mas não compromete a unidade do partido.
“Decidir sobre a minha continuidade ou renúncia dependerá dos membros. É fundamental preparar a nova geração para assumir responsabilidades e garantir a renovação democrática interna”, afirmou o líder da RENAMO.
O Conselho Nacional ocorre um ano após as eleições gerais, nas quais a RENAMO perdeu o estatuto de principal força de oposição, passando para a terceira posição. Segundo o porta-voz da Comissão Política, Saíde Fidel, o encontro discutirá a vida interna do partido, incluindo os capítulos mais controversos que marcaram o movimento nos últimos meses.
Recentemente, os desmobilizados da RENAMO, que contestam a liderança de Momade desde 2019, anunciaram que irão participar do Conselho Nacional, mesmo alegando exclusão deliberada. João Machava, porta-voz do grupo, acusou a direcção de tentar controlar o conclave e perpetuar a liderança de Momade, denunciando alegados incentivos monetários a delegações provinciais para influenciar votos.
O evento reunirá mais de 200 participantes, incluindo conselheiros do partido, representantes da sociedade civil e outros actores políticos, sendo considerado decisivo para o futuro da RENAMO.

