A TotalEnergies, empresa francesa de energia, está a ser acusada de cumplicidade em crimes de guerra em Moçambique, especificamente no norte do país, em Cabo Delgado. A empresa é acusada de permitir abusos por parte das forças de segurança moçambicanas, que alegadamente torturaram e executaram dezenas de civis detidos em contentores marítimos no local do projecto de gás da empresa.
O Centro Europeu dos Direitos Constitucionais e Humanos (ECCHR) apresentou uma queixa contra a TotalEnergies em França, alegando que a empresa sabia dos riscos de violação dos direitos humanos associados às forças de segurança moçambicanas, mas continuou a apoiá-las. A queixa refere-se ao “massacre dos contentores”, em que civis foram detidos, torturados e executados em contentores marítimos no local da empresa.
A TotalEnergies nega as acusações e afirma que não tinha conhecimento dos acontecimentos na altura. A empresa também afirma que pediu uma investigação ao Procurador-Geral de Moçambique em Novembro de 2024, e que o inquérito foi aberto em Março de 2025.
O projecto de gás da TotalEnergies em Moçambique é um dos maiores investimentos estrangeiros em África, avaliado em 20 mil milhões de dólares. No entanto, o projeto tem sido alvo de críticas devido às alegações de abusos dos direitos humanos e ao impacto ambiental.
A situação em Cabo Delgado é complexa, com militantes islâmicos ligados ao grupo do Estado Islâmico a atacar a região desde 2012. Em 2021, os militantes atacaram a cidade de Palma, matando ou raptando 1.563 civis perto do complexo da TotalEnergies

