A Associação Infantojuvenil de Futebol de Nampula (BEBEC) enfrenta um défice financeiro de 28 mil meticais, valor necessário para garantir a premiação das seis equipas apuradas para a fase final do torneio infantojuvenil deste ano, cuja conclusão está prevista para os próximos dias.
A competição, que decorreu ao longo de seis meses em diferentes bairros da cidade, envolve cerca de 180 crianças finalistas, de um universo total de aproximadamente 2.100 participantes, com idades entre os 6 e os 15 anos, nos escalões masculino e feminino.
Segundo o presidente da associação, José Machava, o montante em falta destinava-se à aquisição de material escolar, medalhas e prémios simbólicos, com destaque para kits de cadernos a serem entregues a cada criança como forma de reconhecimento pelo esforço e disciplina demonstrados ao longo do torneio.
“Queríamos oferecer pelo menos um conjunto de cadernos a cada criança, para mostrar que valeu a pena participar”, explicou o dirigente.
Machava recorda que esta é a 21.ª edição do torneio BEBEC, uma iniciativa com forte impacto social, criada para ocupar as crianças durante as férias escolares, promover a convivência entre bairros e afastar os menores de situações de risco.
“Trabalhamos com crianças pequenas, dos seis aos quinze anos. É uma camada que precisa de muito apoio. O nosso objectivo sempre foi criar amizade entre bairros e contribuir para o crescimento saudável destas crianças”, sublinhou.
Apesar da relevância do projecto, a associação não conseguiu assegurar o apoio financeiro esperado junto de entidades públicas e parceiros habituais. “Tentámos junto dos nossos parceiros, mas a resposta foi negativa. Disseram que não havia orçamento”, lamentou.
Material insuficiente para os finalistas
Até ao momento, a BEBEC recebeu 45 medalhas, quatro bolas e dez pastas escolares, um número considerado insuficiente para cobrir as necessidades dos cerca de 180 finalistas.
“Tenho 45 medalhas para quase 180 crianças. É um grande desafio saber como fazer a distribuição sem criar desigualdades”, reconheceu Machava.
Na fase decisiva da prova, vão competir três equipas masculinas e três femininas, que disputarão os três primeiros lugares. A direcção da associação admite dificuldades em assegurar uma premiação equilibrada para todos os participantes.
Ainda assim, o encerramento do torneio está mantido. “O pouco que temos vamos agradecer. Ter alguma coisa é melhor do que não ter nada”, afirmou o presidente.
Espaço de descoberta de talentos
Para além da vertente recreativa e social, o torneio BEBEC é visto como um viveiro de talentos para o futebol local. José Machava defende uma maior presença de olheiros e responsáveis do futebol provincial nas partidas.
“Talento nós temos. O problema é como aproveitar esse talento. Se viessem ao campo, veriam coisas que nunca imaginaram numa criança”, frisou.
Com os constrangimentos vividos nesta edição, a associação pretende, nos próximos anos, submeter os seus projectos com maior antecedência, de modo a garantir apoio financeiro antes do início das actividades.
“Vamos começar cedo a apresentar os nossos projectos para evitar este tipo de dificuldades”, assegurou.
A direcção da BEBEC acredita que, com apenas 28 mil meticais, será possível garantir uma premiação simples, mas digna, capaz de marcar positivamente a vida de crianças que encontraram no futebol um espaço de aprendizagem, convivência e esperança num futuro melhor. Agostinho Miguel

