Mais de uma centena de pescadores da comunidade de Machangulo, no distrito de Matutuíne, província de Maputo, estão a apostar na apicultura como fonte alternativa de rendimento, no âmbito de uma iniciativa que visa reduzir a pressão sobre os recursos marinhos do Parque Nacional de Maputo.
O projecto, liderado pela Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), conta com o apoio da Peace Parks Foundation e da Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO), e resultou na disponibilização de 650 colmeias para a prática da apicultura na zona tampão do parque, classificado como Património Mundial da Humanidade.
A iniciativa tem como principal objectivo criar meios alternativos de subsistência para as comunidades que tradicionalmente dependem da pesca, actividade sujeita a períodos de veda e à crescente pressão sobre os ecossistemas marinhos.

Com a introdução das colmeias, os beneficiários passaram a dedicar-se à produção de mel, sobretudo durante a época de defeso, garantindo maior estabilidade económica às suas famílias. Segundo dados do projecto, mais de 100 apicultores estão actualmente a ser assistidos por um técnico especializado alocado à comunidade.
O apoio técnico inclui a instalação dos apiários, monitoria das colmeias, colheita e processamento do mel, assegurando padrões de qualidade e sustentabilidade na produção.
Os primeiros resultados já começam a ser visíveis, com os apicultores a registarem níveis encorajadores de produção. A expectativa é que, nos próximos meses, a comunidade coloque no mercado mel orgânico devidamente registado, sob a marca “Mel da Costa dos Elefantes”, reforçando a identidade local e agregando valor comercial ao produto.
Além de gerar rendimento, o projecto é visto como uma estratégia de conservação, ao contribuir para a redução da dependência exclusiva da pesca e promover práticas económicas compatíveis com a preservação ambiental na zona envolvente do parque. Redacção
