Quando a honra venceu a morte no coliseu de Roma

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Quando o Coliseu de Roma, então conhecido como Anfiteatro Flaviano, foi inaugurado no ano 80 depois de Cristo, o imperador Tito decidiu assinalar o momento com um espectáculo à altura da grandeza de Roma. Ordenou cem dias consecutivos de jogos, marcados por feras selvagens, sangue derramado e demonstrações de poder imperial.

Entre todos os combates realizados, um destacou-se de forma singular. Dois gladiadores experientes, Prisco e Vero, enfrentaram-se diante de uma multidão em êxtase. Eram veteranos respeitados, iguais em força, técnica e resistência. O duelo prolongou-se por horas, sem que nenhum deles recuasse ou pedisse clemência.

A intensidade da luta foi tamanha que o próprio imperador ordenou pausas para que ambos se alimentassem e se hidratassem antes de regressarem à arena. Refeito o fôlego, retomaram o combate com a mesma determinação, como se a fadiga não tivesse lugar naquele confronto.

Perante a evidência de que nenhum dos gladiadores seria derrotado, Tito tomou uma decisão inédita. Mandou encerrar o combate e declarou os dois vencedores, quebrando a lógica habitual de uma arena construída para a morte.

Diante de uma plateia atónita, o imperador entregou a cada gladiador uma espada de madeira, a rudis, símbolo da liberdade concedida aos combatentes. O poeta Marcial, testemunha do episódio, eternizou o momento em versos memoráveis: “Lutaram por igual, permaneceram por igual, e igual foi a sua recompensa.”

Naquele dia, numa arena erguida para celebrar a morte, Roma assistiu a algo raro: a consagração da honra acima da vitória. Redacção

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