Economia
TotalEnergies garante continuidade do projecto de gás apesar da saída do reino unido e da holanda
A TotalEnergies esclareceu esta semana a nova estrutura de financiamento do projecto Mozambique LNG, depois de os governos do Reino Unido e da Holanda confirmarem que já não participarão no pacote de dívida através das suas agências de crédito à exportação.
Segundo a empresa, os parceiros do consórcio decidiram, de forma unânime, injectar capital próprio adicional para cobrir a saída das duas instituições, correspondendo a cerca de 10% do financiamento externo inicialmente previsto.
O mega-projecto de liquefação de gás natural, considerado um dos maiores da África, tinha garantido em 2020 um financiamento de 15,4 mil milhões de dólares junto de cerca de 30 financiadores, incluindo várias agências de crédito à exportação.
No entanto, a escalada da insurgência armada em Cabo Delgado levou à declaração de força maior em 2021, suspendendo as obras e forçando a renegociação das condições de financiamento.
Com o levantamento recente da força maior e a decisão dos parceiros de retomar o projecto, a TotalEnergies actualizou o acordo de financiamento para reflectir o novo cronograma. A UKEF (Reino Unido) e a Atradius (Holanda), contudo, não reconfirmaram a sua participação, levando o consórcio a avançar sem o apoio das duas agências.
A petrolífera francesa sublinha que os restantes financiadores — cerca de 90% do grupo original — reafirmaram o seu compromisso, interpretado pela empresa como um sinal de confiança na viabilidade económica do projecto e no seu impacto para o desenvolvimento de Moçambique, num momento em que a procura global por gás natural liquefeito se mantém elevada.
A TotalEnergies respondeu ainda aos relatórios encomendados pelo governo holandês sobre direitos humanos e segurança em Cabo Delgado, criticando os consultores Clingendael e Pangea Risk por não terem realizado avaliações no terreno. A empresa reiterou esclarecimentos anteriores sobre alegações envolvendo forças moçambicanas e remeteu para novas explicações divulgadas em Novembro.
O esclarecimento surge numa fase crucial para o projecto Mozambique LNG, que deverá transformar o país num dos principais exportadores mundiais de gás natural. Apesar da retirada do apoio britânico e holandês — que representava uma camada adicional de garantia política — a decisão dos parceiros de compensar o défice com capital próprio é vista como um indício de confiança na estabilidade crescente de Cabo Delgado e na robustez económica do empreendimento.