ENH e Baker Hughes criam consórcio para reforçar conteúdo local no sector do gás

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A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH – EP) e a multinacional norte-americana Baker Hughes assinaram, recentemente, em Florença, Itália, um memorando de entendimento para a criação de uma entidade conjunta destinada à prestação de serviços técnicos de apoio à perfuração e exploração de hidrocarbonetos em Moçambique.

O acordo prevê a constituição de um consórcio no qual a ENH Exploration, empresa integralmente detida pela ENH Serviços — subsidiária da ENH — deterá 51 por cento do capital social, enquanto a Baker Hughes ficará com 49 por cento. A estrutura accionista assegura maioria moçambicana e enquadra-se na estratégia de promoção de conteúdo local nos projectos de gás natural liquefeito (LNG) em curso no país.

Com a nova parceria, as duas entidades passam a concorrer à prestação de serviços especializados nas áreas de construção de poços, completação, intervenção e medições, soluções de produtos petrolíferos, bem como sistemas submarinos e de controlo de pressão superficial. Entre os serviços previstos constam fornecimento de brocas, fluidos de perfuração, bombeamento de pressão, serviços de wireline, sistemas de elevação artificial e projectos submarinos.

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Momento da assinatura do memorando de entendimento entre a ENH Serviços e a Baker Hughes

Segundo a presidente do Conselho de Administração da ENH Exploration, Mónica Juvane, a iniciativa representa um marco para o sector energético nacional, ao permitir maior participação de empresas e quadros moçambicanos na cadeia de valor do gás.

“Estamos a garantir a formação de quadros nacionais para responder às diferentes necessidades do mercado, bem como receitas para o país em moeda estrangeira”, afirmou.

De acordo com a gestora, a estratégia segue modelos adoptados por empresas nacionais de referência no sector energético internacional, como a Sonangol (Angola), a Petrobras (Brasil), a Sonatrach (Argélia) e a NNPC (Nigéria), que consolidaram a sua posição no mercado após estabelecerem parcerias estratégicas com operadores internacionais.

A criação do consórcio está alinhada com o Plano Estratégico da ENH para o período 2024–2034, recentemente aprovado, que define como prioridade o reforço da capacidade técnica nacional e a retenção de recursos financeiros no circuito económico interno.

No âmbito da capacitação, 12 quadros moçambicanos encontram-se actualmente em formação no Dubai, numa primeira fase de especialização técnica. Posteriormente, deverão integrar programas de formação prática “on job” em projectos internacionais onde a Baker Hughes opera, num processo que, segundo a ENH, envolve investimento financeiro significativo das duas partes.

A assinatura do memorando ocorreu à margem da conferência anual da Baker Hughes, realizada entre 27 e 30 de Janeiro, em Florença, subordinada ao tema “The Energy Equation” (A Equação da Energia). O encontro reuniu operadores e parceiros internacionais do sector de petróleo e gás.

O reforço da capacidade técnica nacional surge num momento em que Moçambique consolida a sua posição como potencial fornecedor global de gás natural liquefeito, impulsionado pelos projectos em desenvolvimento na Bacia do Rovuma, nomeadamente Coral Sul, Golfinho-Atum e Rovuma LNG.

Especialistas do sector apontam que a expansão destas iniciativas exigirá serviços altamente especializados, tornando estratégica a formação de quadros nacionais e o fortalecimento do empresariado local ao longo da cadeia de valor dos hidrocarbonetos. @Félix Filipe

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