Apesar de serem responsáveis pela maior parte dos alimentos produzidos no país, os pequenos agricultores continuam a enfrentar muitos problemas que dificultam a venda da sua produção e a melhoria da sua renda. A constatação consta de um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), intitulado From Fields to Markets – Scaling Farmers into Agribusiness.
O estudo analisou a implementação do programa PROMOVE Agribiz nas províncias de Nampula e Zambézia e concluiu que a maioria dos agricultores familiares trabalha em pequenas áreas, com cerca de um hectare, usando poucos meios e com acesso limitado a apoio técnico e financeiro.
Segundo o relatório, muitos produtores continuam a cultivar apenas para o consumo da família, porque não conseguem produzir excedentes suficientes para vender no mercado. A baixa produção é causada, entre outros factores, pelo uso reduzido de fertilizantes e sementes melhoradas, pouca mecanização e forte dependência das chuvas.
Outro problema apontado é a dificuldade de acesso ao dinheiro. Muitos agricultores não conseguem crédito nos bancos por não terem garantias ou conhecimento sobre serviços financeiros. Mesmo quando existem pequenos apoios ou subsídios, a exigência de contribuição própria acaba por excluir os produtores mais pobres.
O fraco acesso aos mercados também pesa na vida dos camponeses. A falta de armazéns, estradas em boas condições e meios de transporte faz com que parte da produção se estrague após a colheita. Além disso, muitos agricultores são obrigados a vender a preços baixos a intermediários, por não terem outras opções.
A FAO destaca ainda que muitos produtores têm dificuldade em organizar-se em associações legalizadas. A criação e gestão dessas organizações exige conhecimentos de administração e liderança que nem sempre existem nas comunidades rurais, o que limita o acesso a programas de apoio e a mercados mais vantajosos.
O relatório chama igualmente atenção para a situação das mulheres, que representam uma grande parte da mão-de-obra agrícola, mas continuam a enfrentar mais dificuldades no acesso à terra, ao crédito, à formação e à tomada de decisões. Sem medidas específicas para apoiar as mulheres, o impacto dos programas de desenvolvimento pode ser reduzido.
Face a estes desafios, a FAO defende que a integração dos pequenos agricultores no agronegócio exige tempo e apoio contínuo. Entre as principais recomendações estão o reforço da extensão agrária, a expansão dos programas de apoio às zonas rurais, o envolvimento do sector privado e a criação de soluções financeiras adaptadas à realidade dos camponeses. Redacção

