A Câmara Africana de Energia (AEC) apelou ao boicote da próxima Africa Energies Summit, conferência internacional dedicada ao sector petrolífero africano que decorrerá em Londres entre 12 e 14 de Maio, alegando falta de representação de profissionais africanos na organização do evento.
Em comunicado divulgado esta semana, a organização acusa a empresa Frontier Energy Network, promotora da cimeira, de não incluir profissionais africanos negros na sua direção, o que, segundo a AEC, contradiz o discurso de promoção do sector energético africano.
A conferência é apresentada pelos organizadores como “a primeira conferência mundial sobre o sector petrolífero upstream em África”. No entanto, a AEC considera que a estrutura de liderança da empresa levanta dúvidas sobre o compromisso real com a inclusão de profissionais africanos.
Para a organização, o debate sobre conteúdo local — princípio que defende maior participação de cidadãos e empresas nacionais nos projectos energéticos — não pode limitar-se a discursos em conferências internacionais.
Segundo a AEC, o conceito deve refletir-se na contratação de profissionais africanos, na formação de lideranças locais e no acesso de empresas do continente às cadeias de valor da indústria energética.
“O conteúdo local não pode ser apenas um tema de debate em conferências ou documentos políticos. Deve traduzir-se em oportunidades reais para profissionais e empresas africanas”, defende a organização.
O presidente executivo da AEC, NJ Ayuk, criticou aquilo que considera práticas discriminatórias na organização do evento.
“Não aceitaremos ser excluídos da indústria do petróleo e do gás. Queremos uma indústria aberta, inclusiva e solidária”, afirmou Ayuk, acrescentando que a recusa em integrar profissionais africanos enfraquece a credibilidade de iniciativas que afirmam promover o sector energético do continente.
A AEC sublinha que várias empresas do sector em África demonstram que é possível conciliar investimento internacional com valorização do talento local.
Entre os exemplos citados está a Africa Fortesa Corporation, empresa independente de petróleo e gás que opera o campo de gás terrestre de Gadiaga, no Senegal, e que, segundo a organização, tem apostado na contratação de profissionais africanos e na formação de quadros locais.
Para a Câmara Africana de Energia, garantir oportunidades para profissionais africanos é essencial numa altura em que cada vez mais jovens formados entram no mercado de trabalho no continente.A organização alerta ainda que a exclusão de africanos da indústria energética pode prejudicar a credibilidade do sector num momento em que o petróleo e o gás enfrentam forte pressão internacional por parte de movimentos ambientais.
Nesse contexto, a AEC defende que o futuro da indústria energética africana deve ser construído com maior participação de profissionais e empresas do continente.“A mensagem é clara: o futuro do petróleo e do gás em África deve ser construído não apenas em África, mas também com os africanos no centro”, conclui o comunicado. Redacção

