Ciência chinesa transforma solos salinos em campos férteis de arroz

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A China está a transformar um dos seus maiores desafios agrícolas em oportunidade: cientistas do Centro de Investigação de Arroz Tolerante à Salinidade de Qingdao, na província de Shandong, estão a desenvolver uma variedade de arroz capaz de crescer em solos salinos, tradicionalmente considerados impróprios para o cultivo.

O projecto, conhecido popularmente como “arroz de água salgada”, já apresentou resultados promissores em campos experimentais, alcançando rendimento superior a 690 quilos por mu (cerca de 0,06 hectares) — o dobro da produtividade registada há apenas três anos. A inovação pode abrir caminho para a recuperação de milhões de hectares de terras degradadas na China e em outras regiões do mundo.

“Estamos a provar que a ciência pode transformar terrenos antes estéreis em fontes de alimento”, afirmou um dos investigadores do centro, sublinhando que o arroz tolerante ao sal poderá ajudar a reforçar a segurança alimentar global.

O programa combina hibridização selectiva, sequenciamento genético e experimentos espaciais com sementes, numa busca por variedades mais resistentes à salinidade e à seca. O arroz desenvolvido é capaz de crescer com níveis de salinidade muito superiores aos do arroz convencional, sem comprometer o rendimento ou a qualidade do grão.

Segundo dados oficiais, a área cultivada com arroz de água salgada ultrapassou 40 mil hectares em 2021, e a meta é atingir 7 milhões de hectares na próxima década. Se alcançada, essa expansão poderia produzir arroz suficiente para alimentar até 80 milhões de pessoas, sem necessidade de desmatar florestas ou ocupar novas pastagens.

“A água salgada é um recurso subutilizado. Transformá-la num meio produtivo é um salto tecnológico e ambiental”, disse um dos líderes do projecto.

Especialistas em agricultura sustentável consideram o avanço um marco científico e um modelo de adaptação climática, já que solos salinizados afetam mais de 800 milhões de hectares em todo o mundo — cerca de 10% das terras agrícolas do planeta.

O sucesso chinês poderá, assim, servir de referência para outros países que enfrentam desafios semelhantes, incluindo regiões costeiras de África e do Médio Oriente, onde a salinização do solo compromete colheitas e meios de subsistência.

Embora ainda esteja em fase experimental e de demonstração, o programa reforça a aposta da China em ciência aplicada e inovação agrícola. Para os seus investigadores, o “arroz de água salgada” é mais do que uma experiência de laboratório — é um símbolo do potencial humano de reverter os limites da natureza através da tecnologia e da persistência científica.

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