O Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure, alertou que Moçambique vive um período de profunda dor e insegurança, marcado por mortes, ataques e medo, e advertiu que o país não pode normalizar a violência. O apelo foi feito num momento em que o norte do país volta a registar ataques terroristas e assassinatos de agentes da polícia.
“Moçambique tornou-se, digamos, neste vale de lágrimas. Continuamente estamos a chorar, mas não podemos aceitar a morte como normal”, afirmou o prelado em entrevista à Rádio Vaticano.
Referindo-se às vítimas dos recentes ataques e à crescente insegurança, Dom Inácio sublinhou que cada morte deve ser vista como uma tragédia que interpela a consciência colectiva. “A morte de qualquer pessoa deve questionar-nos. Não devemos contentar-nos com a morte de ninguém”, disse, destacando que a defesa da vida é um dever moral e nacional.
O líder da Igreja Católica em Nampula apelou às autoridades do Estado a agirem com firmeza e responsabilidade, investigando de forma séria as causas profundas da guerra em Cabo Delgado e Nampula. “Não se pode tocar apenas em aspectos periféricos. É preciso atacar a raiz do problema”, advertiu, defendendo uma abordagem que vá além das respostas militares.
Sem ignorar a dimensão espiritual da crise, Dom Inácio convidou os fiéis a unirem oração e acção, pedindo a Deus que “toque os corações de todos os mentores desta guerra, para que ela acabe de vez”. Segundo o Arcebispo, a paz deve ser construída tanto com fé como com compromisso cívico.
Durante a sua intervenção, o prelado evocou ainda o exemplo da Irmã Maria da Copa, missionária comboniana italiana assassinada em 2022 no mesmo distrito, que descreveu como símbolo de entrega e coragem. “O seu testemunho deve inspirar-nos a lutar pela paz e pelo respeito à vida”, afirmou.
Dom Inácio concluiu com um apelo à consciência colectiva: “É preciso fazer tudo para que estas mortes parem. Só assim poderemos transformar este vale de lágrimas num país onde a vida e a dignidade humana estejam no centro do nosso desenvolvimento.”

