Um apagão massivo mergulhou Niassa e parte de Cabo Delgado na escuridão ontem, deixando cerca de 286 mil clientes sem energia eléctrica. O episódio, considerado um dos maiores do ano, gerou caos e perdas para famílias, empresas e serviços essenciais.
O porta-voz da Eletricidade de Moçambique (EDM) explicou que a falha ocorreu na linha de alta tensão de 110 kV entre Gurué e Cuamba, afectando também Marrupa, Lichinga e Balama, em Cabo Delgado. A linha atravessa uma zona de mata densa e de difícil acesso, o que atrasou a inspeção para apurar a causa da avaria — que pode ter sido provocada por um isolador partido, fio solto, vandalismo ou queda de árvores.
“Só quando o sistema estiver totalmente restaurado é que o fornecimento será normalizado”, afirmou o porta-voz. Para minimizar os efeitos, foram accionados geradores de emergência e uma mini-hídrica em Lichinga e Cuamba, garantindo eletricidade apenas para serviços essenciais.
O apagão também afectou Maputo, onde uma avaria na Subestação 9, em Magoanine, deixou cerca de 25 mil clientes sem energia. Manobras rápidas permitiram restabelecer o fornecimento à maioria em poucas horas.
O episódio, porém, pode ter consequências trágicas: circulam notícias de que duas crianças teriam morrido em Cuamba durante o apagão. A EDM afirma ainda não ter informações oficiais, mas promete abrir um inquérito caso os factos se confirmem.
Especialistas e moradores ouvidos por NGANI, levantam dúvidas sobre a capacidade da EDM de garantir um fornecimento estável e seguro, enquanto famílias enfrentam perdas, medo e insegurança entre às trevas. O incidente reforça o debate sobre investimentos em infraestrutura e a urgência de medidas que evitem novos apagões e possíveis tragédias.

