O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu a necessidade de uma viragem estrutural na economia moçambicana, com foco na transição do crescimento económico para um desenvolvimento inclusivo e sustentável.
A posição foi expressa durante o lançamento do livro “Repensar o Desenvolvimento Económico e o Papel do Estado”, da autoria do ministro de Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, num evento realizado em Maputo.
Na ocasião, o Chefe do Estado sublinhou que o país deve abandonar uma lógica centrada apenas em indicadores de crescimento e apostar em reformas profundas que promovam impacto social.
“O que nós temos que nos concentrar é, sem margem de dúvidas, o desenvolvimento, porque nem sempre o crescimento significa desenvolvimento”, afirmou Chapo.
O Presidente destacou ainda a importância de uma mudança de mentalidade, com maior aposta no empreendedorismo, defendendo que o Governo está empenhado em transformar conhecimento académico em políticas públicas concretas.
Durante a intervenção, Chapo elogiou a obra de Salim Valá, considerando-a uma contribuição relevante para o debate nacional, sobretudo pela distinção entre crescimento económico e desenvolvimento, que classificou como essencial para o atual momento do país.
O estadista reconheceu que, ao longo dos 50 anos de independência, Moçambique registou avanços quantitativos, mas frisou que o desafio atual passa por garantir melhorias qualitativas nas condições de vida da população.
No seu discurso, destacou igualmente o papel do diálogo nacional inclusivo em curso, que envolve diferentes setores da sociedade, incluindo partidos políticos, organizações da sociedade civil e lideranças religiosas e tradicionais.
“O debate é extremamente importante para o processo de mudanças”, afirmou, reiterando que a transformação exige participação ampla e contínua.
Como parte das medidas em curso, o Presidente anunciou a criação do Gabinete de Reformas e Projectos Estratégicos na Presidência da República, com o objetivo de incorporar contributos da academia e acelerar a implementação de soluções inovadoras.
Chapo admitiu, no entanto, que as reformas estruturais podem enfrentar resistência inicial por parte da sociedade, alertando para o desfasamento entre a adopção de medidas e a perceção dos seus benefícios.
“Estamos a tomar decisões arrojadas com consciência de que as pessoas não nos vão perceber agora”, disse, acrescentando que os resultados serão visíveis a médio e longo prazo.
Outro ponto destacado foi a necessidade de reformar o sistema educativo, que, segundo o Presidente, ainda está orientado para a formação de empregados, em detrimento da promoção do empreendedorismo. “A nossa educação está virada principalmente para ensinar-nos a sermos empregados e não a sermos empreendedores”, afirmou.
O Governo, segundo explicou, está também a rever o quadro legal e fiscal para facilitar o crescimento das Pequenas e Médias Empresas, com o objetivo de incentivar a criação de emprego e dinamizar a economia.
A encerrar, o Chefe do Estado apelou à unidade nacional e à participação ativa dos cidadãos no debate sobre o desenvolvimento do país, defendendo uma construção coletiva de soluções para o futuro de Moçambique. Redacção

