NGANI, 12 de Setembro de 2025 – O turismo sustentável começa a dar frutos palpáveis no sul de Moçambique. As 21 comunidades da zona tampão do Parque Nacional de Maputo (PNAM) acabam de receber mais de 3,7 milhões de meticais, correspondentes a 20% das receitas turísticas arrecadadas em 2024.
O valor representa um crescimento de 21% face a 2023, quando foram distribuídos pouco mais de três milhões de meticais, e mostra como a conservação da biodiversidade pode ser uma aliada no desenvolvimento social e económico.
Ao presidir a cerimónia de entrega, o Secretário de Estado da Província de Maputo, Henriques Bongence, sublinhou que a política de partilha de receitas é um incentivo claro para que os habitantes locais se tornem defensores da natureza. “Quando as comunidades reconhecem benefícios diretos, tornam-se parceiras ativas na proteção do nosso património ambiental”, afirmou.
Este modelo, acrescentou, deve servir de exemplo para outras áreas de conservação do país.
Parcerias que funcionam
A iniciativa resulta do trabalho conjunto da administração do Parque, da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) e da Peace Parks Foundation, que têm investido na proteção da fauna e flora e na dinamização do turismo.
O aumento da receita é explicado pelo crescimento do número de visitantes, fruto de investimentos em infraestruturas, promoção internacional e maior segurança dentro do Parque.
Os fundos entregues são aplicados em projetos comunitários diversos, desde agricultura a iniciativas sociais, incluindo escolas, postos de saúde e abastecimento de água potável. Para as comunidades, significa acesso a serviços básicos, novas oportunidades e menos dependência de práticas como a caça furtiva.
Henriques Bongence apelou às comunidades para usarem os recursos de forma responsável: “Este dinheiro deve ser aplicado em projetos que melhorem a vida coletiva, não apenas no imediato, mas também no futuro das próximas gerações”.
Com esta entrega, o governo e parceiros reafirmaram o compromisso de associar conservação ambiental à inclusão social, consolidando o Parque Nacional de Maputo como referência de turismo sustentável em Moçambique. No final, a mensagem ficou clara: proteger a natureza é também investir no desenvolvimento económico e social.

