Cobranças ilegais sufocam transportadores na estrada Nampula–Angoche

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Transportadores que operam na estrada que liga a cidade de Nampula ao distrito de Angoche denunciam a existência de cobranças ilegais em vários postos de controlo ao longo do trajecto, situação que, segundo os mesmos, está a agravar os custos de transporte e a penalizar passageiros e comerciantes.

De acordo com relatos recolhidos junto de motoristas que fazem regularmente aquela rota, as cobranças variam consoante o ponto de fiscalização. No quilómetro 13, os condutores afirmam ser obrigados a pagar 750 meticais. Em Nametil, o valor ronda os 350 meticais. Em Mecua, mais 350 meticais. Já antes da entrada na cidade de Nampula, o montante exigido pode atingir 700 meticais. No total, os pagamentos podem somar cerca de 2.150 meticais por viagem — valor que, segundo os transportadores, ultrapassa o custo integral de combustível.

Os motoristas afirmam que os valores são pagos em dinheiro, sem emissão de recibo ou qualquer documento oficial que comprove tratar-se de taxa legal, multa ou imposto previsto na lei. “Pagamos para poder continuar a viagem. Se não pagamos, criam problemas”, relatou um dos transportadores, que pediu anonimato por receio de represálias.

Segundo as denúncias, independentemente de a viatura apresentar documentação válida, o pagamento acaba por ser exigido. Alguns motoristas descrevem ainda situações em que são obrigados a sair da viatura e dirigir-se ao agente no posto de controlo para efectuar o pagamento.

Para compensar os custos adicionais, muitos transportadores admitem que acabam por aumentar o número de passageiros nas viaturas. Carrinhas licenciadas para 15 lugares chegam a transportar mais de 20 pessoas, elevando o risco de acidentes e comprometendo as condições de segurança.

A sobrelotação e o aumento do custo operacional têm reflexos directos nos passageiros, que pagam mais caro por um serviço de menor qualidade. Comerciantes locais também se queixam de que o encarecimento do transporte faz subir o preço dos produtos, afectando o poder de compra das famílias.

Alguns sectores argumentam que parte do problema pode estar associada à informalidade no transporte de passageiros, incluindo motoristas sem formação adequada ou licenciamento incompleto. No entanto, transportadores defendem que a solução deve passar pela organização do sector e reforço da fiscalização legal, e não pela cobrança informal de valores.

Os transportadores apelam ao Governo Provincial de Nampula e às entidades competentes para que investiguem as denúncias, reforcem a fiscalização e esclareçam oficialmente quais são as taxas legalmente aplicáveis na estrada Nampula–Angoche.

Alertam ainda que, caso a situação persista, poderá haver paralisação da actividade por parte de alguns operadores, alegadamente cansados de suportar encargos que consideram ilegais. Até ao fecho desta edição, não foi possível obter um posicionamento oficial das autoridades sobre as alegações.

A confirmar-se, o caso levanta questões sérias sobre transparência, legalidade e impacto económico numa das rotas mais importantes para a circulação de pessoas e mercadorias na província de Nampula. Redacção

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